quinta-feira, 9 de abril de 2020

Cientistas publicam carta aberta ao Ministro da Saúde.

Parece mesmo ser a tendência, principalmente vindo de uma comunidade científica. 
Querem saber: eu diagnosticado tomaria já no primeiro dia. E duvido um colega médico que não faria a mesma coisa para si mesmo ou num familiar. 


Especial para o BSM·8 de Abril de 2020 às 12:01

O coronavírus e a cloroquina: quando exigir consenso é um tremendo contrassenso
Especial para o BSM
O BSM publica em primeira mão um documento redigido pelo professor Marcos Eberlin e coassinado por 30 cientistas de diversas áreas em defesa do uso da hidroxicloroquina em pacientes não-graves de Covid-19. Os signatários da carta, todos ligados ao movimento Docentes Pela Liberdade (DPL), somam mais de 60 mil citações em publicações científicas internacionais. Segue a íntegra do texto:  

Por Marcos Eberlin, PhD
 

O Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, desaconselha o uso da (hidroxi)cloroquina ou sua associação com azitromicina (HCQ + AZT) para doentes não-graves, e justifica sua decisão pela “falta de consenso científico”. “Ciência, ciência, ciência, seguimos a ciência!”, proclama o Senhor Ministro, soando, para muitos, como culto e prudente. Porém, ele está equivocado! 
Pois o que seria essa ciência que o Ministro afirma seguir? E haveria tempo suficiente para esperar por uma resposta, definitiva e consensual, de uma comunidade científica? E quem falaria, de fato, em nome dessa ciência consensual, para anunciar o seu veredito? 
Sou um cientista, químico e bioquímico, e já atuei em várias áreas da medicina e de análises clínicas. Meu grupo desenvolveu um método inovador e rápido de diagnóstico de zika. Minha filha — Lívia Eberlin — desenvolveu uma caneta para diagnóstico seguro de câncer e, juntos, trabalhamos em um método rápido de diagnóstico para o coronavírus. São dados obtidos nesta semana, e, se tais dados forem confirmados, teremos algo muito inovador a oferecer pela ciência. Atuo em ciência há mais de 40 anos, coordenei um grupo de pesquisas com mais de 55 doutores e pós-doutores, já orientei mais de 200 deles, e publiquei mais de 1.000 artigos científicos com quase 25 mil citações. Desculpe a falta de modéstia, mas se ciência é a questão aqui, tenho que dizer que sou um dos cientistas brasileiros mais produtivos da ciência brasileira contemporânea. Atuo, também, em uma área da ciência que estuda nossas origens, na qual uma teoria é apresentada como pleno consenso científico; entretanto, mesmo em meio a este “consenso”, ainda reinam mais dúvidas do que certezas. No fundo, nós cientistas só sabemos que quase nada sabemos!  Mas se um pouco sabemos, que usemos este conhecimento já, aqui e agora!
Com a autoridade científica que meus feitos me outorgam, não tenho dúvidas em declarar que o Senhor Ministro da Saúde, Henrique Mandetta, equivoca-se tremendamente ao clamar por consenso científico nas atuais circunstâncias.  
Consenso, não raro, diz respeito a políticos. Mas como afirma Richard Feynman, um dos maiores físicos e filósofos da atualidade: “A ciência é a cultura da dúvida”. Jamais teremos certeza consensual em ciência! É evidente que o acúmulo de muitos dados ao longo de vários anos de pesquisas pode certificar algumas hipóteses e derrubar outras, provisoriamente. Mas a dúvida sempre persistirá. E é preciso que persista a fim de que a própria ciência avance e se aperfeiçoe.
Portanto, exigir consenso científico e que cientistas em suas sociedades científicas se reúnam e cheguem em uma posição consensual, em meio a uma pandemia, é revelar temor em agir num momento premente como o que vivemos. Para a cloroquina no tratamento do Covid-19, pedir consenso de seres por natureza céticos e questionadores é solicitar o impossível, para justificar uma omissão. É ignorar as evidências que já temos em nome de muitas evidências que até poderão surgir, porém, tarde demais; quem sabe depois da morte de muitos.  É se negar a desviar o Titanic, enquanto se espera um consenso sobre se a mancha no radar é mesmo um iceberg à frente.
Em Portugal, por exemplo, médicos do Ministério da Saúde adotaram o HCQ + AZT para tratar o Covid-19, tomando essa decisão com pouco mas expressivo embasamento científico, frente aos resultados do primeiro estudo do professor Didier Raoult e seu numeroso grupo de pesquisadores e de especialistas do Instituto Ricardo Jorge (onde há pesquisadores com elevada produção científica que estudam a malária e outras doenças tropicais), e do Instituto de Medicina e Higiene Tropical da Universidade Nova de Lisboa. 
Os portugueses esperaram por consenso científico? De duas sociedades científicas? Pediram estudos clínicos multicêntricos com duplo cego envolvendo um número de casos cientificamente válido? Evidentemente que não!  Seria um contrassenso imenso insistir em exigir coisas assim numa hora como esta! Pois estudos desta natureza seriam demorados demais (pelo menos 12 meses), e o vírus que enfrentamos não tem clemência por temerosos e retardatários. Pior, estudos com esta metodologia são difíceis de serem aplicados em doenças infecciosas, pois colocariam em risco a vida dos participantes nos grupos de controle e/ ou de placebo. Na verdade, nem sequer seriam aprovados em muitos Comitês Científicos de Ética. 
Os portugueses, caro Ministro Mandetta, foram bravos, corajosos e plenamente científicos. Usaram as evidências empírico-científicas de que dispunham e não hesitaram: agiram, rapidamente, pois era hora. Siga esse protocolo de sucesso!
Descartar um tratamento com baixo risco e com potencial para salvar muitas vidas, mesmo que possa até não funcionar, dar empate, é uma atitude moralmente inadmissível! E, por que não, cruel. 
Argumentos sobre a não cientificidade do uso de HCQ + AZT, ou, que devemos usá-las somente após ser declarado esse um consenso científico ignoram o que é ciência, como se constroem consensos científicos, sua efetividade em muitos casos, é verdade, mas, outrossim, suas inegáveis limitações, em outros.
Seria muito bom conhecer mais, se tempo tivéssemos, mas os dados disponíveis atualmente clamam com veemência pelo uso da cloroquina, e já!
E quais seriam estes dados? 
A favor da HCQ + AZT temos: 
  1. A cloroquina já é usada há décadas, conhecemos as dosagens, as suas contraindicações.
  2. Africanos a tomam todos os dias, e missionários na África são aconselhados a tomar doses diárias. Muitas vidas na África talvez sejam salvas por essa “feliz coincidência”. 
  3. Não há relatos científicos de muitas mortes ou sérios efeitos colaterais pelo uso da HCT.
  4. Vários estudos fervilham no Brasil e no mundo mostrando sua eficácia. A Prevent os tem aplicado preventivamente em centenas de seus pacientes idosos, com muito sucesso.Uma pesquisa na literatura científica (sciFinder e outros) sobre a HCT retorna muitos registros de seu efeito antiviral, inclusive no tratamento de zika. 
  5. Um dos maiores especialistas em epidemias no Brasil, entre eles um pesquisador sênior e altamente produtivo e respeitado, o Dr. Paolo Zanotto, aconselha fortemente seu uso. 
  6. O pior efeito colateral é a morte, e este efeito colateral ronda milhares no Brasil pelo não uso da HCQ+ AZT! 
  7. Vários médicos têm feito uso próprio da HCQ + AZT, em casos “brandos”, inclusive o coordenador da equipe de Governador Dória em SP, o Dr. David Uip. Por que para ele pode, e para o povo, não pode? Um amigo meu, biólogo e cientista, consultou seu médico, tomou e sarou, em poucos dias. 

Contra temos: 
  1. A falta de consenso científico.
Ou seja: é uma goleada cientifica de 7 x 1 a favor da cloroquina ou da dupla HCQ+ AZT.
Caro Ministro, ciência é o pesar das evidências que temos, aqui e agora. É agir hoje, com coragem e esperança. 
Errar é humano, mas errar por esperar consenso científico é isenção hedionda, pois o inimigo já derrubou as nossas muralhas e está a ceifar as vidas de nossas mulheres e filhos. 
Há relatos de pobres morrendo clamando pela cloroquina! Pois os ricos e poderosos, como o Dr. Uip, estão sendo todos tratados por seus médicos particulares com HCQ + AZT, e, por um motivo qualquer que ainda me é obscuro, negando-se a revelar a receita da cura. Médicos não abandonam seus pacientes, e também não lhes negam a receita! 
Mas ainda há tempo e esperança. E, Senhor Ministro, estou certo de que tomará a decisão correta.
Não corra o risco de ter sobre vossa consciência o peso da morte de centenas ou milhares de pessoas que poderão morrer sem sequer ter a chance de testar a terapia.  Seja corajoso, seja científico! Autorize o uso da ciência que temos aqui e agora, a ciência de hoje! 
Ministro: se errar, erre tentando, empatando! Mas se acertar, acerte ganhando, salvando vidas!
*******
Coassinam esta carta os seguintes cientistas:

NOME
instituição
citações
Marcelo Hermes Lima
Universidade de Brasília
6365
Aguimon Alves da Costa
Universidade Cândido Mendes

Alexandre Barbosa Andrade
Universidade Federal de Ouro Preto

Amilcar Baiardi
Universidade Católica de Salvador
2483
Bruno Lima Pessoa
Universidade Federal Fluminense
50
Carlos Adriano Ferraz
Universidade Federal de Pelotas
8700
Carlos Prudêncio
Instituto Adolfo Lutz
228
Cesar Gordon
Universidade Federal do Rio de Janeiro
754
Cláudio Antônio Sorodo Días
Universidade Federal da Grande Dourados

Eduardo Gonçalves Paterson Fox 
sem filiação
418
Elvis Böes
Instituto Federal de Brasília
685
José Carlos Campos Torres
Universidade Estadual de Campinas
115
Laércio Fidelis Dias
Universidade Estadual Paulista
121
Leonardo Vizeu Figueiredo
Escola da Advocacia-Geral da União
288
Maira Regina Rodrigues Magini
Universidade Federal do Rio de Janeiro
177
Marcio Magini 
Universidade Federal do Rio de Janeiro
207
Milton Gustavo Vasconcelos Barbosa
Universidade Estadual do Piauí

Ney Rômulo de Oliveira Paula
Universidade Federal do Piauí

Pablo Christiano Barboza Lollo 
Universidade Federal da Grande Dourados
1116
Pedro Jorge Zany P. M. Caldeira
Universidade Federal do Triângulo Mineiro
65
Rodrigo Caiado de Lamare
PUC-RJ e University of York
11341
Ronaldo Angelini
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
664
Rosevaldo de Oliveira
Universidade Federal de Rondonópolis 
17
Rui Seabra Ferreira Junior
Universidade Estadual Paulista
1318
Luís Fabiano Farias Borges
CAPES

Jane Adriana Ramos Ottoni de Castro
Universidade de Brasília

Martinho Dinoá Medeiros Júnior
Universidades Federal de Pernambuco

Marcos N. Eberlin
Universidade Presbiteriana Mackenzie
24941
Marcus Vinicius Carvalho Guelpeli
Universidade Federal dos Vales do Jequitnhonha e Mucuri
95
Leonardo de Azevedo Calderon
Fundação Oswaldo Cruz
1230
José Roberto Gomes Rodrigues
Universidade do Estado da Bahia
 

 total de citações
61378

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Repensando a Covid-19.



Posso estar certo ou errado e claro, todos podem concordar ou não comigo. Mas tendo 22 anos de medicina, são questionamentos que faço estudando sobre a doença em páginas de referência. As respostas corretas, só o futuro me mostrará.

- Não vejo a Covid-19 uma doença pior e mais letal que outras doenças infeccciosas respiratórias. Sim, vão me dizer que o vírus é altamente contagioso e espalha a doença com facilidade. Assim também acontece com o vírus Influenza e ninguém faz essa sorologia absurda nem tranca ninguém em casa, apesar de milhares de mortes todos os anos. Afinal, é comum morrer das complicações das gripes e pneumonias.

- Mas e a Itália e Espanha? Sabemos das características do pico da doença no clima de inverno que passam, da alta densidade demográfica, população com alto índice de pacientes idosos com co-morbidades, índice alto de  tabagismo e milhares de chineses contaminados convivendo na região, principalmente os que voltaram da china para os trabalhos na Itália após o recesso do ano novo chinês.

- O baixo índice de exames laboratoriais para diagnóstico aqui no Brasil pode mostrar justamente que a doença está sendo subnotificada, ou seja, o número de casos pode ser infinitamente maior, o que mostra também que a doença tem então uma baixa letalidade. Em contrapartida, os diagnósticos de Covid-19 em atestados de óbito sem uma comprovação laboratorial da causa da morte aumentam o número de óbitos relacionados à doença. Sim, há orientações para notificar como suspeito, qualquer paciente atendido com febre, tosse e “falta de ar”. Se não estiverem graves não serão submetidos a exames, mas se morrerem terão no atestado de óbito a causa da morte como Covid-19.

- O pico de incidência de casos no Brasil, a tal curva que querem achatar de todo jeito, parece que é mais lenta. Isso pode ter influência de sermos um país tropical e de estarmos ainda em uma estação de temperaturas ainda altas, o que dificulta a proliferação viral.

- Ainda temos regiões e cidades, como a própria Diamantina, com zero casos comprovados. Daí vem o questionamento sobre o confinamento com isolamento horizontal. Os problemas econômicos e sociais precisam sim serem discutidos, bem como o vírus precisa também circular para criar a barreira imunológica e proteger a população.

- Até quando vamos nos manter isolados?

- Quando saírmos do isolamento daqui a duas semanas ou daqui a seis meses, o que vai acontecer?

– Vamos tentar manter a tal curva achatada enquanto achatamos também a vida social, psicológica e financeira?

- E se daqui uns 3 ou 4 meses o pico de doentes aumentar muito e já estiver faltando recursos financeiros para o sistema de saúde? O governador de MG já declarou hoje que não tem nenhuma previsão para o pagamento do funcionalismo.  

- E se o atraso do pico da curva trouxer um número alto de casos junto do pico das doenças respiratórias quando estivermos no inverno? 

- Algumas particularidades da doença ainda estão sendo descritas e estudadas como tromboembolismo em órgãos nobres, indicação ou não de anticoagulantes, etc.

- Diversas drogas antivirais e até mesmo os antiparasitários Ivermectina e Nitazoxanida estão em estudos, mas parece mesmo que o grande trunfo do tratamento está na combinação da Hidroxicloroquina, Azitromicina e Zinco. Estes sendo iniciados já em fase precoce da doença e por curto período de uso, em torno de 5 dias. Por que então o MS ainda insiste em não contribuir para um estudo nesse sentido e atrasar o início do tratamento, o que pode ceifar vidas?

- Por que diante de uma grave doença, um renomado infectologista do país que se mostra toda hora diante da TV, não declara como foi o seu tratamento, tendo a idade como fator de risco e uma recuperação tão rápida?

- Por que o presidente do Brasil, tendo 22 pessoas da sua equipe de viagem diagnosticados com Covid-19 não expõe o resultado do seu exame para comprovar que realmente não foi infectado?

- Por que parlamentares lutam para preservarem mais de 2 bilhões de reais para uma campanha eleitoral com o país precisando de verba numa situação de emergência como estamos vivendo?

Enfim, são incógnitas que teremos respostas somente daqui um tempo. Tempo este que pode mostrar erros e acertos, mas que não penso mais que é com todo mundo confinado em casa, pelo menos neste momento de outono no Brasil, que teremos a resposta.

E sobre ter tempo para preparar o sistema de saúde para receber os pacientes, não me convence. O sistema nunca esteve mesmo preparado. E os aparatos que vemos serão todos desmontados assim que considerarem que a crise passou. 

É que penso no momento.

OBSERVAÇÕES: 
- OS MEDICAMENTOS CITADOS DEVEM SER PRESCRITOS POR MÉDICOS. O USO PREVENTIVO DOS MEDICAMENTOS NÃO IMPEDE QUE O PACIENTE SEJA INFECTADO. NÃO VÃ ENTÃO COMPRAR MEDICAMENTOS NA FARMÁCIA POR CONTA PRÓPRIA. 
- TODO MÉDICO É RESPONSÁVEL POR SEU PACIENTE E LIVRE PARA PRESCREVER O TRATAMENTO QUE ACHA MAIS ADEQUADO, CLARO, BASEADO EM COMPROVAÇÕES CIENTÍFICAS. 

Assinado: Rodrigo Cavalcanti Gonçalves. CRM/MG: 32621 / SBP: 124256

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Vocês conhecem o PROCAJ ?


Alguns trabalhos espetaculares realizados como este, às vezes passam despercebidos e sem conhecimento, até mesmo porque os envolvidos não estão atrás de reconhecimento em relação ao bem que levam às comunidades. 

Mas tomando conhecimento hoje, fiz questão de criar essa postagem, pra que mais pessoas conheçam e reconheçam o trabalho do PROCAJ, dirigido pela querida Joariza Santos. 

Entre as inúmeras ações e incontáveis projetos realizados, alguns que tive o prazer em participar como pediatra, está o reconhecimento da seriedade e resultado dos trabalhos, através do prêmio recebido pela realização do projeto chamado Eu, Você e a Escola - Educação que transforma, prêmio este, concedido após vencerem o concorrido concurso realizado pelo Itaú-Unicef. 

Vou deixar alguns links aqui, para que todos conheçam mais o projeto e suas realizações. 

Conhecendo o PROCAJ: https://www.procaj.org/

11º Prêmio Itaú Unicef - Projeto Eu, Você e a Escola - Educação que transforma: https://www.youtube.com/watch?v=J3IYKJD1smI

https://premioitauunicef.cenpec.org.br/edicoes/educacao-integral-aprendizagem-que-transforma/



 


quinta-feira, 26 de março de 2020

CALENDÁRIO VACINAL DA CRIANÇA E A PANDEMIA PELO CORONAVÍRUs



Em meio à pandemia do novo coronavírus (SARSCoV-2), recém-decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e a confirmação da circulação sustentada do vírus no país, muito tem se discutido a respeito da melhor orientação a ser dada sobre a vacinação rotineira das crianças num cenário de distanciamento social vigente, situação sem precedentes.

Ao mesmo tempo em que o isolamento e a limitação na circulação de pessoas reduz a transmissão, não só do SARSCoV-2, mas de outros patógenos, o não comparecimento de crianças às unidades de saúde para atualização do calendário vacinal, pode impactar nas coberturas vacinais e colocar em risco a saúde de todos, especialmente frente à situação epidemiológica do sarampo, febre amarela e coqueluche que vivenciamos atualmente.

As Sociedades Brasileiras de Pediatria (SBP) e a de Imunizações (SBIm), levando em conta este difícil momento que enfrentamos, busca, com essa iniciativa, colaborar com as estratégias públicas e privadas no enfrentamento desta questão.

Considerando que:
1)     O Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil é um programa de muito sucesso, e adquiriu, ao longo dos anos, credibilidade e confiança da população que não permitem retrocessos;

2)     O cenário epidemiológico do sarampo e da febre amarela no país, ambas as doenças imunopreveníveis, requer constante investimento em ações de imunizações;

3)     O controle da coqueluche e da febre amarela e a eliminação do sarampo e da rubéola são dependentes de elevadas coberturas vacinais;

4)     O distanciamento social proposto pelo Ministério da Saúde, neste momento, é ferramenta crucial para se obter a redução no número de infectados pelo novo coronavírus durante as próximas semanas;

5)     As crianças imunocompetentes, em geral, têm sido poupadas das formas graves da doença e, por outro lado, os idosos são os grupos mais vulneráveis com mortalidade desproporcional em relação às demais faixas etárias.

A SBP e a SBIm sugerem que:

1)     A oferta das vacinas deve ser mantida de maneira regular e sustentada pelo PNI.
2)     A população deve ser encorajada a manter o calendário vacinal atualizado, procurando visitar a unidade de saúde mais perto de suas residências e em horários menos concorridos;
3)     As estratégias de distanciamento, especialmente de idosos, devem ser desenvolvidas de acordo com a realidade de cada local;
4)     A vacinação em ambientes como escolas, clubes e igrejas, neste momento áreas ociosas, deve ser estimulada;
5)     Horários diferenciados para a vacinação de crianças e adolescentes devem ser criados;
6)     Sempre que possível, a vacinação domiciliar é uma opção a ser considerada;
7)     O calendário deve ser otimizado, com a aplicação do maior número de vacinas possível na mesma visita, desde que se respeite o intervalo mínimo entre as doses, com o objetivo de reduzir o número de visitas às unidades de saúde;
8)     Clínicas privadas de imunização devem organizar seus serviços a fim de manter o distanciamento social exigido nesse momento;
9)     Não há evidências sobre a interação da COVID19 e a resposta imune às vacinas. Para reduzir a disseminação da doença, qualquer pessoa com sintomas respiratórios ou febre, deverá ser orientada a não comparecer aos centros de vacinação;
10)           Casos suspeitos ou confirmados de COVID19 poderão ser vacinados após a resolução dos sintomas e passado o período de 14 dias do isolamento.

Campanhas:

Em relação à campanha de vacinação contra o influenza, onde a abordagem de idosos é uma prioridade, a suspensão temporária da vacinação rotineira a de crianças por um curto período pode ser considerada, com o intuito de reduzir a exposição aos idosos.

As sociedades ainda ressaltam que qualquer alteração na rotina de vacinação, como parte da estratégia de enfrentamento da pandemia de COVID19, deve ser comunicada aos profissionais da saúde e à população de maneira clara e oportuna, bem como seu caráter provisório.

Pais e filhos em confinamento durante a pandemia de COVID-19




- Fonte – Departamento Científico da Sociedade Brasileira de Pediatria

Diante da pandemia de COVID-19 é essencial o suporte das famílias na prevenção dos prejuízos à saúde e ao desenvolvimento das crianças.

A necessidade de permanecer em casa foi uma medida extrema que modifica completamente o funcionamento da vida das famílias e certamente essa situação surgiu como um fator adicional e muitas famílias ainda não conseguiram se organizar nessa nova modalidade no dia a dia.
 As crianças não estão indo às escolas, os avós não podem contribuir no monitoramento delas, os pais precisam trabalhar em esquema de home office e lidar, ao mesmo tempo, com os afazeres da casa, os cuidados com as crianças que agora passaram a ser em tempo integral, as compras e saídas restritas, as preocupações financeiras e também lidar com as informações sobre a pandemia que nem sempre chegam de forma clara.

Os pilares da saúde e do desenvolvimento precisam ser respeitados e, quando existe uma situação de adversidade que aumenta muito o estresse como nessa situação de pandemia, onde ele é elevado e diário, ele pode ser tóxico: portanto, o conceito de estresse tóxico deve ser conhecido e as medidas tomadas para que ele seja prevenido, a fim de se evitar prejuízos maiores a longo prazo. Situações de adversidades determina resposta fisiológica de elevação dos hormônios do estresse na infância, como o cortisol e adrenalina, com consequências de sobrecarga do sistema cardiovascular e riscos à construção saudável da arquitetura cerebral das crianças. Isso pode acarretar várias consequências a curto prazo, como transtornos do sono, irritabilidade, piora da imunidade, medos, e a médio e longo prazo, como maior prevalência de atrasos no desenvolvimento, de transtorno de ansiedade, de depressão, queda no rendimento escolar e estilo de vida pouco saudável na vida adulta.

Assim sendo, a aplicação das práticas baseadas em evidências pode contribuir na preservação do bem estar das nossas crianças e adolescentes e, de acordo com as pesquisas das Neurociências e das publicações científicas recentes, o DC de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento fornece algumas dicas importantes para os pais nesse momento de pandemia:

01.Os adultos devem realizar momentos de diálogo para discussão das atividades prioritárias do dia a dia, das necessidades básicas da casa, da divisão de tarefas e obrigações. Deve-se organizar os horários do trabalho de cada um dos pais, tentando intercalar os períodos para os demais afazeres da casa e das crianças.

02.Discutir em família o papel que cada adulto possui em fornecer o suporte para que o estresse não se torne tóxico para as crianças e adolescentes.

03.Ensinar como higienizar as mãos e que esse cuidado deve ser um hábito diário, mesmo após a pandemia acabar. Além disso, orientar como espirrar com proteção, como utilizar os seus utensílios, como evitar o contato físico e como se cuidar de forma lúdica, com músicas, leituras e brincadeiras.

04.Conversar com os seus filhos sobre a situação atual, com linguagem simples e adequada para cada idade da criança. As orientações devem ser transmitidas de forma tranquila a fim de evitar a elevação do estresse, do medo e da ansiedade no nível de chegar a comprometer a imunidade e saúde mental dos pequenos. Explicar que as medidas são de prevenção, mas que podemos esperar bons desfechos. Dar abertura para que eles possam expressar seus sentimentos e suas dúvidas em um ambiente acolhedor e de apoio mútuo.

05.Realizar o planejamento de agenda dos filhos juntamente com eles, incentivando- -os a organizar horários equilibrados para manter as atividades de estudo, leitura, música, atividade física, sono e tempo de tela, respeitando os limites da rotina saudável, além dos intervalos de ócio criativo para que a própria criança faça reflexões e brincadeiras que irão ajudá-la a superar esse momento.

06.Manter a dieta e a ingesta de líquidos adequada para cada idade. Os alimentos possuem papel no crescimento, na prevenção de doenças e na formação da arquitetura cerebral. O aleitamento materno exclusivo até o sexto mês e mantido até os dois anos é de grande relevância. Chamar atenção para o sobrepeso e obesidade.

07.Intercalar períodos de atividades físicas dentro do lar em mais de um horário do dia nos turnos da manhã e da tarde e, se possível, fazer as atividades em conjunto pais e filhos. Estimular a criança e o adolescente a ser criativo para realizar essas atividades em casa que podem ser de circuitos feitos com travesseiros e garrafas plásticas, pular corda, dançar, artes marciais dentre outros.

08.Estimular atividades no quintal, na varanda ou próximo a locais mais arejados da casa ou apartamento.

09.Usar a tecnologia a favor de todos. Definir com as crianças os horários para o uso saudável das telas, segundo as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, evitando ultrapassar os limites e o acesso sem supervisão a conteúdos inadequados.

10.Definir horários para jogos online com os amigos e para videoconferências com os avós (visualizar os avós em boa saúde pode tranquilizar as crianças). Estimular os avós a terem conversas alegres e momentos de descontração durante os contatos à distância.

11.Inserir as crianças e adolescentes nas tarefas domésticas respeitando a capacidade de acordo com a idade de cada um. Incentivar o ensino colaborativo supervisionado enquanto realizar essas atividades e aproveitar para ensinar afazeres de forma alegre e prazerosa, pois isso pode trazer grande aprendizado para a criança e adolescente.

12.Converse com as crianças e adolescentes para que eles respeitem os momentos que os adultos precisam trabalhar de forma mais concentrada. Tentar sincronizar o horário dessa necessidade com a agenda de um filme ou alguma atividade em que a criança não necessite de tanta supervisão.

13.Reservar um a dois momentos do dia para que os adultos possam se atualizar em relação às informações, sem expor as crianças a conteúdos inadequados. A maioria das informações repassadas pelas mídias são direcionadas para o público adulto e cabe aos pais limitar o acesso das crianças, repassando o que for necessário com linguagem adequada.

14.Incluir na agenda pausas durante o dia para que a família possa estar unida de forma alegre e prazerosa. Tente realizar as refeições junto com as crianças abordando temas construtivos. Praticar as técnicas de atenção plena e de relaxamento.

15.Seja você o modelo de comportamento que espera de seus filhos. Portanto, os pais devem evitar excesso de tela, manter o lar harmonioso e demonstrar de forma assertiva e genuína como lidar com equilíbrio com essa situação adversa só traz benefícios na construção de um cérebro saudável na infância.

16.Deixar claro para todos que o momento não é de férias e sim de uma situação emergencial transitória de reorganização do formato em que as atividades cotidianas devem ser cumpridas.

17.A Sociedade Brasileira de Pediatria está empenhada em minimizar os impactos na saúde das crianças e dos adolescentes e incentiva a divulgação de informações científicas para a comunidade.



terça-feira, 17 de março de 2020

Covid-19 - Minhas observações.


Diante do enorme alarme em relação ao surto de Covid-19, faço as seguintes observações:

- Os casos irão aumentar sim, nas próximas semanas.
- As pessoas mais sujeitas a complicações são as mesmas que complicam com acometimento dos vírus que causam a “gripe comum”. Idosos maiores de 60 anos, hipertensos, diabéticos, cardiopatas, asmáticos, tabagistas, imunodeprimidos como pacientes em tratamento de câncer, HIV ou uso de corticoides por períodos prolongados ou em doses elevadas, etc.
- A determinação de suspender as aulas tem o objetivo de tentar evitar o rápido aumento do número de casos, evitando assim a grande demanda por atendimentos de saúde, o que pode gerar um caos sem necessidade.
- No entanto, observo que estamos ainda na transição do verão- outono com temperaturas mais altas, o que além de dificultar a proliferação viral, há poucas pessoas com sintomas respiratórios. Isso também permite ambientes escolares mais abertos, ventilados e também ao ar livre. No período crítico de baixas temperaturas que ainda vamos passar, as aulas serão suspensas outra vez???
- Em qualquer época, os alunos com sintomas respiratórios não devem ir à escola e procurar esclarecimento diagnóstico através de atendimento médico.
- Devemos continuar a realização de todas as medidas preventivas de transmissão de doenças respiratórias que são amplamente divulgadas todos os anos.
- Não podemos a partir de agora, entrar em pânico e achar que todo sintoma respiratório é causado pelo Coronavírus.
- Todas as medidas preventivas devem ser feitas para evitar a transmissão de qualquer doença respiratória. Essas orientações são passadas todos os anos e pouco seguidas. O número de óbitos pelo Vírus H1N1 é muito significativo e mesmo assim há algumas pessoas que por ignorância, fazem campanha contra a vacina.
- Oriento que tão logo inicie a campanha vacinal, os grupos indicados ou todos que puderem, procurem se vacinar. A vacina protege contra os principais vírus causadores da gripe evitando também as complicações. E nos pacientes vacinados vai ajudar inclusive a pensar em outras possibilidades infecciosas que não os vírus da vacina.
- E parem por favor com a ignorância de divulgar que a vacina da gripe causa gripe, que é feita pra matar idosos e coisas do tipo.
Vida que segue...

Ass. Rodrigo Cavalcanti Gonçalves
Médico Pediatra. CRM-MG: 32621 / SBP: 124.256