segunda-feira, 2 de maio de 2022

RALLY DOS SERTÕES 2022.

 

O MAIOR RALLY DO MUNDO VAI ACONTECER NO BRASIL ESSE ANO!

Os 30 anos do Rally dos Sertões vai entrar para história.

 Por Trinity Ronzella  

Na terça-feira 26/04, as portas do Museu do Ipiranga foi anunciado que, em comemoração aos 200 anos da Independência e, os 30 anos do Setões, teremos uma prova épica que entrara para a história dos Rallyes como sendo a edição de 2022, a maior competição contra o relógio do mundo!

Foto: Duda Bairros - Dú Sachs e Edgar Fabre divulgando o roteiro

 

Passando pelas cinco regiões do Brasil e percorrendo um total de 7.216 kms, serão nada mais nada menos de 4.811 kms de especiais, onde os pilotos torcem os cabos até onde dá! Aproximadamente 70% de trechos cronometrados, o maior Sertões de todos os tempos terá a duração de 15 dias sendo, 14 dias de prova e um dia de descanso, passará por 5 regiões do país, 8 estados ( PR, SP, MS, MT, TO, PI, MA e PA) e 14 cidades. O dobro de dias que o as versões “normais” e também, a maior especial da história, com 601 km na 6ª Etapa em Mato Grosso. Sorte que é uma região fresquinha…

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Vai iniciar na internacional Cataratas do Iguaçu (PR), atravessará o centro-oeste brasileiro, até chegar ao mar em Salinópolis (PA).

Foto: Divulgação - Cataratas do Iguaçu (PR) será o local de partida do Sertões 2022.

 

Atrativos também não faltarão pelo caminho como a largada nas Cataratas, trilhas inéditas no Jalapão, Cânions do Viana e Ilha do Bananal, que promete trazer cenários lindos e desconhecidos. 

Etapa Maratona, onde o competidor não pode contar com o apoio mecânico, tendo que se virar sozinho, serão 914 km. Fora isso, paralelamente, 8 operadores de turismo estarão na Expedição Turismo, levando motos e carros do Oiapoque ao Chui.

Na parte Social, o SAS Brasil (Saúde e Alegria no Sertões) planeja beneficiar cerca de 16 mil pessoas, em sete cidades das cinco regiões do país. 

Com a maior extensão em três décadas de disputa, a Dunas Race, organizadora do Sertões, criou duas provas à parte para quem não puder fazer o percurso completo: Sertões Sul e Sertões Norte. O primeiro, de 26/8 a 3/9, com um prólogo e sete etapas e término em Palmas (TO). De onde parte o segundo, também com sete etapas. Serão três em um. 

Foto: Victor Eleutério - Sertões 2022 será o maior rally do mundo em trechos cronometrados.

 

NÚMEROS DO QUE JÁ ACONTECEU 

130 mil kms = Total percorrido em 29 anos de Sertões = equivalente a 3 voltas na Terra 

58 mil km de especiais -  trechos contra o relógio

18 + DF = total de Estados atravessados (o Brasil conta com 26 estados + DF)

120 cidades receberam o Sertões

16 = total de largadas de Goiânia, a cidade que mais recebeu a abertura do Sertões

9 = Número de vezes que chegou em Fortaleza (CE); a cidade que mais recebeu chegadas

2.374 competidores passaram pelo Sertões nesses 29 anos (84 caminhões, 1.090 carros,  

814 motos, 386 UTVs)

Foto: Divulgação - Roteiro Sertões 2022

 

ROTEIRO DIA A DIA

*DI = deslocamento inicial; TE = trecho especial; DF = deslocamento final

1ª etapa – 27/08 – Sábado – Foz do Iguaçu PR / Umuarama PR

D.I. – 25km   T.E. – 172km   D.F. – 173km   TOTAL: 370KM

 

2ª etapa – 28/08 – Domingo – Umuarama PR / Presidente Prudente SP

D.I – 17km   T.E. – 305km   D.F. – 213km   TOTAL: 535KM

 

3ª etapa – 29/08 – Segunda-feira – Presidente Prudente SP / Campo Grande MS

D.I. – 134km   T.E. – 306km   D.F. – 360km   TOTAL: 800KM

 

3ª. SS – muda fuso MS e MT

 

4ª etapa – 30/08 – Terça-feira – Campo Grande MS / Costa Rica MS

D.I. – 30km   T.E. – 382km   D.F. – 31km   TOTAL: 443KM

 

5ª etapa – 31/08 – Quarta-feira – Costa Rica MS / Barra do Garças MT

D.I. – 87km   T.E. – 526km   D.F. – 23km   TOTAL: 636KM  

 

6ª etapa – 01/09 – Quinta-feira – Barra do Garças MT / S.Felix do Araguaia MT

D.I. – 67km   T.E. – 601km   D.F. – 0km   TOTAL: 667KM

 

Início 1ª. Perna da 1ª. Etapa Maratona

 

7ª etapa – 02/09 – Sexta-feira – S.Felix do Araguaia MT / Palmas TO

D.I. – 9km   T.E. – 165km   D.F. – 401km   TOTAL: 575KM

 

2ª. Perna Maratona 

 

03/09 – Sábado - ENCERRA SERTÕES SUL - DESCANSO EM PALMAS TO

Foto: Marcelo Maragni - Cânions do Viana (PI) será a prova em laço, saindo e voltando ao local da partida.

 

INÍCIO SERTÕES NORTE

 

8ª etapa – 04/09 – Domingo – Palmas TO / Mateiros TO

D.I. – 97km   T.E. – 462km   D.F. – 0km   TOTAL: 559KM

 

2ª. Maratona - 1ª perna MIX DAS MELHORES TRILHAS DO JALAPÃO

 

9ª etapa – 05/09 – Segunda-feira – Mateiros TO / Bom Jesus PI

D.I. – 0km   T.E. – 452km   D.F. – 61km   TOTAL: 513KM 

 

2ª. Perna da 2ª. Maratona (Após rasgar o Jalapão, segue para o Piauí)

 

10ª etapa – 06/09 – Terça-Feira – Bom Jesus PI / Bom Jesus PI

D.I. – 0km   T.E. – 325km   D.F. – 2km   TOTAL: 327KM - Laço Cânion do Viana

 

11ª etapa – 07/09 – Quarta-feira – Bom Jesus PI / Balsas MA

D.I. – 16km   T.E. – 260km   D.F. – 225km   TOTAL: 501KM

 

12ª etapa – 08/09 – Quinta-feira – Balsas MA / Imperatriz MA

D.I. – 11km   T.E. – 265   D.F. – 125km   TOTAL: 401KM

 

13ª etapa – 09/09 – Sexta-feira – Imperatriz MA / Paragominas PA

D.I. – 29km   T.E. – 377km   D.F. – 67km   TOTAL: 473KM

 

14ª etapa – 10/09 – Sábado – Paragominas PA / Salinópolis PA

D.I. – 3km   T.E. – 213km   D.F. 200km    TOTAL: 416KM

Foto: Divulgação - Mar de Salinópolis (PA) - Chegada do Sertões

 

KM TOTAL: 7.216km

KM ESPEICIA: 4.811km


Fonte:
Equipe MOTO.com.br

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

IPVA 2022 - MG

 Como todo bom início de ano recheado de contas, saiu a tabela para pagamentos do IPVA dos veículos em Minas gerais. 

Apesar da disputa entre o governo e assembleia, os valores permaneceram os do ano anterior, com míseros 3% de desconto para pagamento à vista e + 3 % para os chamados bons pagadores (quem nos últimos dois anos pagou os impostos em dia e à vista.)

E pra aliviar um pouco o início do ano, o vencimento do IPVA será a partir do mês de março. 

A famigerada arrecadação da irregular e bandida "Taxa de Licenciamento" continua, apesar do governo não emitir nem tão pouco enviar os documentos dos veículos. O valor absurdo dessa roubalheira é de R$135,95. 

Cobranças indevidas que vemos sempre os nosso compatriotas de toga fazerem-se de cegos para esse assalto a todos nós. 

Pelo menos estamos livres mais uma vez do pagamento do DPVAT, já que os governos anteriores ao atual arrecadaram absurdos em cobranças indevidas superfaturadas que mantem o caixa da seguradora transbordando dinheiro até hoje. Imagino quanto estaríamos pagando de seguro caso a quadrilha petralha ainda estivesse no poder.

Bom, vamos ao que interessa.

Pra imprimir as guias e fazer o pagamento, basta clicar aqui: 

IPVA - SEF/MG (fazenda.mg.gov.br)

Após preencher o renavan, clique em não sou robô, continuar e imprimir a guia em PDF. 



Feliz 2022 a todos. 






domingo, 19 de dezembro de 2021

Confraternização da CAANM.

 Hoje, 19 de dezembro, foi realizada na AABB em Montes Claros, a confraternização de fim de ano do Clube de Autos Antigos do Norte de Minas. CAANM

O evento foi excelente, mesmo tendo tido que limitar o número de participantes, devido ao espaço cedido gentilmente pela AABB. 

Muitos velhos e novos amigos reunidos, todos com o mesmo espírito. 

Muita variedade de carros e estilos, cada um com as características apreciadas pelos seus donos. 

A organização foi excelente com muito bate papo, sorteio de brindes e um almoço servido com fartura para os participantes. 

A confraternização reforçou mais uma vez o espírito familiar que envolve os participantes desse tipo de evento. 


































































quinta-feira, 12 de agosto de 2021

É preciso que o 0800 atenda ligações de celulares

 Mudanças precisam ser feitas no 0800.

Hoje pra minha desagradável surpresa ao abrir o e-mail com a fatura do meu cartão de crédito, deparei com o valor total de compras acima inclusive do limite do cartão.

Fui conferir no site do banco e lá estava o mesmo valor. Daí começou a saga.

Como ligar pro serviço de atendimento, cuja única opção é através do 0800?

Resumindo o que penso: o número 0800 deve aceitar ligações por celulares, mesmo que seja pra gente pagar a ligação. Que até tenha uma mensagem que a ligação pelo celular será cobrada, mas que permita a gente a resolver de forma rápida o problema, até porque muita gente não tem mais telefone fixo e em casos de viagens, passeios, etc, é  o celular que sempre está com a gente.

Outra dica: que nessas centrais de atendimentos possuam a opção “roubo/furto/extravio” ou sei lá o quê, pra gerar um atendimento mais rápido. Primeiro fiquei ouvindo música, depois segui todas as opções com digitação de CPF, mês de nascimento e idade atual, pra depois escutar as opções e seguir na labuta até chegar no atendimento pela funcionária, que me perguntou todos esses dados de novo.

Mas tendo o atendimento de celular pelo 0800 já será uma evolução muito favorável a todos os usuários.

Fica aí o meu pedido pros legisladores do país. 

ass. Rodrigo Cavalcanti Gonçalves


quinta-feira, 29 de julho de 2021

A mídia e o Mundo Mimimi nas Olimpíadas.


Vivendo e convivendo cada vez mais neste mundo mimimi com um número incontável de pessoas fracas e vitimizadas ao extremo, deparo com várias mídias exaltando a cada dia das olimpíadas, as características raciais e sociais dos atletas, principalmente os que recebem alguma medalha.

Os títulos das chamadas vêm recheados de termos como “mulher”, “negra”, “periferia”, “órfã” e coisas do tipo, como se isso desmerecesse ou mesmo ao contrário, exaltasse alguém com essas características, por terem chegado ao pódio ou simplesmente a uma olimpíada.

Reparem que independente das características, os perdedores são simplesmente citados e esquecidos em segundos. A não ser quando uma super campeã do primeiro mundo comete falhas nas suas apresentações e resolve “sair fora” com o discurso de que precisa tratar a mente.

Fraqueza e covardia total. Ou alguém viu o Diego Hypólito abandonar suas competições após cair sentado em Pequim e de cara em Londres?

Verdadeiros competidores são assim. É muito fácil se manter no centro iluminado do palco enquanto tudo está dando certo e se esconder no primeiro erro e na primeira frustração. Sim, pode até ser uma super atleta e super campeã, mas mostrou que não é uma super competidora e nem mesmo uma super olímpica.  Afinal, olimpíada é uma competição onde os melhores estão reunidos e os resultados das provas dependem do melhor condicionamento físico e mental. E se um deles te derruba durante a prova, basta perder. Afinal, o importante não é competir ?

Aí após esse abandono da americana, assisto os diversos canais esportivos do Brasil exaltando que a partir daí, a brasileira Rebeca teria mais chances.  Seria puro desprezo e desmerecimento com tanto treino e tanta história da brasileira até chegar onde chegou? Ela só ganharia com a americana de fora? É isso que quiseram dizer? Foi o que entendi...

No meu ponto de vista, a Receba chegou lá porque se preparou e encontrou   condições para isso. Teve sorte da tia a ter levado ao ginásio a primeira vez, teve sorte por ter sido reconhecida naquele momento que tinha potencial para os treinos, teve perseverança de seguir seus treinos e não abandoná-los após cada dificuldade e cada cirurgia. E enfim, teve o apoio incondicional do clube que a acolheu e lhe preparou pra estar hoje nas olimpíadas.

Parem com essa babaquice de destacar os títulos das matérias de acordo com as características raciais e sociais dos atletas.

Parem de encher o saco com esse vitimismo imbecil caracterizando as pessoas por suas medalhas.

Há outras Rebecas nessas olimpíadas, que não foram premiadas e por isso voltaram anônimas pra casa.

Vai entender...

ass. Rodriguim Diamantina

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

“ Formando Burros e Jumentos”.

Se alguém ainda tinha alguma dúvida, o ranking do Pisa provou de uma vez por todas que a tal "pátria educadora", que encheu péssimas universidades com péssimos alunos formados por péssimos professores, era apenas um embuste.

Distribuir diplomas a pessoas de baixa inteligência, nenhum talento, estúpidas, cotistas etc, é como marcar a ferro o traseiro de bois e vacas que estão indo para o abate. Neste caso justificável.

Na nossa cultura deformada pelo "coitadismo", ou para falar mais academicamente, pelo "ethos-igualitarista moderno", teimamos em achar que a Universidade é para todos.

Nunca foi e nunca será .

Essa é uma das maiores mentiras da modernidade.

A decadência da civilização se iniciou com a universalização do ensino, com a troca da formação espiritual e intelectual puras, "ars gratia artis", no sentido aristotélico, pelo adestramento meramente utilitarista para fins de sobrevivência.

Universidade é para uma elite intelectual. É para quem realmente tem talentos, gosta de estudar e tem uma inteligência privilegiada. Sua prioridade é produzir conhecimento e não formar mão de obra ... e, muito menos ainda, formar militantes revolucionários que pretenderão implantar no País regimes ultrapassados e falidos, como o comunismo para proveito de poucos, por exemplo.

Para formar profissionais e mão de obra, existe o ensino profissionalizante e técnico.

As oportunidades que devem ser oferecidas a todos, é a de uma boa formação de base onde, por meio da meritocracia, serão revelados aqueles mais capazes de ir para a Universidade e, lá, PRODUZIREM CONHECIMENTO.

Transformar todo mundo em universitário apenas para não ferir a autoestima do jovem maconheiro que usa piercing no nariz e alargador na orelha, é algo completamente estúpido!

Tudo que os governos do PT conseguiram, foi queimar centenas e centenas de bilhões de reais, para produzir o pior, o mais idiota, o mais ignorante, o mais analfabeto, e por consequência, o mais mimado, alienado e arrogante aluno do mundo!

Nivelaram todo mundo por baixo, destruíram qualquer possibilidade de formar uma verdadeira elite intelectual para o País. São mais de duas décadas jogadas inteiramente no lixo! Trocaram a meritocracia (de alunos e professores) pela "universalização", pela "política de cotas" e pela "ideologização".

Nunca reconhecendo que as pessoas são essencialmente diferentes, umas mais inteligentes, mais capazes, mais interessadas e mais esforçadas que as outras. E tentam enfiar, goela abaixo de todos, o maldito igualitarismo que sempre favorecerá o vulgar, o grosseiro e o ignorante. Sempre nivelará por baixo, rebaixará a tudo e a todos, e produzirá os piores resultados.

Reúna vários alunos inteligentes e todos se tornarão mais inteligentes ainda.

Cerquem um gênio de medíocres e vulgares, e testemunhará sua lenta e gradual decadência.

Numa era em que a humanidade enfrenta a sua mais radical transformação tecnológica, a civilização cibernética põe em cheque toda a cultura humanista, havendo uma mudança profunda de quase todos os paradigmas científicos, sociais e econômicos. Nanotecnologia, microbiologia, projeto genoma, matriz energética, 5G e 6G, Internet das coisas etc.

Nós gastamos trilhões em 20 anos para produzir uma geração “Nem-Nem” de mimados, estúpidos, deprimidos, feminilizados ou masculinizados, vazios, idiotas e arrogantes, que votam num PT, num PSOL e morrem de medo de se tornar adultos. Uma legião de falsos graduados sem possibilidade de emprego, endividados com o FIES, caminhando para a meia idade, morando com os pais e frequentando a marcha da maconha porque precisam urgentemente se alienar e legalizar seu suicídio."

Texto:  Maurício Mühlmann Erthal

 


segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Desabafo e reflexão do Dr Francisco Cardoso

 Neste 18 de Outubro de 2020, preciso fazer um desabafo:

Médico nunca foi respeitado em seu local de trabalho. Nem mesmo nos melhores hospitais existe um respeito de fato. Existem os amigos dos gestores e o resto.

Médicos são tratados feito lixo pelos gestores (tanto faz se é público ou privado).

Médico sempre foi tratado pela sociedade brasileira como uma “garota de programa” de quinta categoria. Daquelas bem rampeiras que apanham do cafetão (gestor) e depois voltam para passar a camisa dele.

Médicos não são alvo de preocupação quanto à sua segurança. A regra geral é mandar o médico se f***.

Quando argumentos óbvios de regras básicas de segurança pra os médicos são colocados à mesa, a resposta é: “mas vocês tem que se sacrificar.” Onde que está escrito que médico tem que se dar mal por negligência de empregador?

“Mau exemplo”, “Vagabundos”, “Desumanos”.  “Mercenarios”. Esses são os adjetivos que a sociedade reserva para o médico que ousa, OUSA, reivindicar para si os mesmos direitos que qualquer outro trabalhador tem, exige e é tratado com normalidade pela mesma sociedade.

O médico que atende de graça e se arrebenta, aceita atender de graça, dá receita pra todo mundo sem questionar, não reclama das insalubres e inidôneas condições de trabalho, não se queixa de atraso de salário, esse sim, ganha aplausos da mídia e da sociedade. “Bom exemplo “, “Médico de verdade”, “Herói”, etc.

Herói, na medicina, é médico que aceita ser escravo e aceita morrer em serviço. Médico que se ferra, esse é o herói. Médico que quer ser tratado como um ser humano, isso não, esse não é herói não.

O Brasil não está acostumado a ver uma categoria médica organizada e lutando por respeito e dignidade no trabalho. Quando isso ocorre, causa repulsa não apenas na Administração Pública, mas também no serviço privado e suplementar. Os convênios médicos e operadoras ficam de olho nisso também.

Uma intensa mobilização é feita para desacreditar e acabar com a reputação de médicos que ousam pedir melhores condições de atendimento e remuneração. Inclusive com uso de médicos vendidos ao sistema, que são acionados para criticar os colegas.

Vai que outros grupos de médicos também passem a reivindicar melhores condições de trabalho. Vai que a moda pega.

Não tenham dúvidas: médico que for pego criticando colega que está em movimento por melhores condições, ou é mercenário a serviço de gestor ou é um completo alienado. 

Pior é o colega que está trabalhando em péssimas condições e, ao invés de aplaudir os que se insurgem, resolve tacar pedra - pois se ele aceita trabalhar no lixo, porque o colega não aceita? - e se une aos mercenários da sociedade que querem nos manter como peça barata nessa engrenagem bilionária da saúde.

Recentemente os Peritos Médicos Federais fizeram um movimento: as agências do INSS estavam inabitáveis. Não dava para voltar ao atendimento presencial daquela forma (INSS fechou as portas em março, 6 meses antes). Todos os Peritos trabalharam de forma remota no período (3.5 milhões de processos analisados). Fomos massacrados pela sociedade e por diversos médicos. Como ousam? Quanta frescura.... E os coitados dos segurados ? (A vasta maioria estava recebendo antecipação pelo inss), dentre outras asneiras. A maior prova de que estávamos certos foi dada pelo próprio INSS: menos de 30% das agências abertas até hoje.  Várias fechadas por surto de COVID. Governo editou MP para dar dinheiro para o INSS comprar EPI. Os críticos sumiram. O estrago na reputação, feito.

Agora, com a telemedicina, seremos transformados em operadores de telemarketing. Um salão cheio de médicos com microfone, em frente a uma tela, falando sobre coisas que não pode afirmar e prescrevendo sem exame físico, controlados por “chefes” administrativos que vão checar desde o número de horas trabalhadas até se estão prescrevendo ou pedindo exames fora dos “protocolos”.

Seremos reles operadores de midia, vigiados, monitorados, trabalhando em algo (teleconsulta) para o qual não há nenhum estudo científico que mostre ser eficaz, seguro ou equivalente a medicina tradicional. Sem controle do nosso ato medico. Peça barata.

Como disse um empresário recentemente “nós temos agora o controle da caneta do médico”. 

É disso mesmo que se trata tudo isso: controle. Nossa profissão lida com algo muito caro, especializado e essencial para qualquer Estado (governo ou corporações): a Saúde humana. 

Controlar nossa caneta é essencial. Para empunha-la, são décadas de estudos, os vestibulares mais difíceis. Muito além de qualquer outro curso.

Além de terem o controle da nossa caneta (protocolos, telemedicina, gestão, perda do respeito pelo médico) agora querem vulgarizar nosso conhecimento (massificação de faculdades, revalida light, retirada de prerrogativas da medicina pra outras profissões).

Tudo isto está em curso neste momento. Só há um jeito de reverter isso: resgatarmos o respeito da sociedade pela profissão médica.

Isso começa pelo respeito a nós mesmos, cada um de nós, em seu emprego. Não aceitar mais humilhações, calotes, insubordinações e invasões de outros profissionais, dar o melhor de nossa capacidade, agir com ética, zelo, atenção, perícia e prudência.

Mas só isso não basta: temos que abandonar esse personagem de “sacerdote” que nos imputaram (para justificar todas as explorações feitas) e nos reconhecer como trabalhadores. É essencial abandonar essa falsa vaidade de ser “superior” em um “pedestal de vestal” que só serve como desculpa para aceitarmos calados todas as agressões feitas a nós.

Nesse 18 de Outubro não quero palmas, quero respeito. Não somos heróis, não somos sacerdotes, somos médicos. Temos família, contas, vida e direitos. Chega de aceitarmos violações a esses direitos.

Minha sincera homenagem as centenas de médicos já mortos pela COVID-19 no Brasil é lutar, a cada dia, por um país melhor para todos, para a medicina e para a saúde brasileira.

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

É Preciso Demitir Cliente !


VOCÊ DEVE DEMITIR um cliente quando ele esgotar sua energia e tirar a sua PAZ. Não importa o que você faça ou ofereça, ele nunca vai ficar satisfeito.

Não importa o quão bom você é, esse cliente sempre vai reclamar do seu trabalho, do seu preço, dos seus serviços.

Ele vai sugar toda a sua energia, o seu tempo e a sua paciência para satisfazer os próprios desejos dele. Ele vai RECLAMAR. Pior: vai dar desculpas pra não pagar seu preço. Vai desqualificar você fez,. Vai distorcendo a verdade, confundir o combinado até deixar você com raiva.

Então, DEMITA ELE antes de perder a sua paz. Livre-se dele, porque não tem nada que você possa fazer para agradá-lo.

SIM, ELE VAI FALAR MAL DE VOCÊ.

E na primeira esquina que encontrar vai trocar você por outro profissional que não irá fazer a metade do que você fazia.

Demita ele! Porque se você continuar com ele, você não vai ter tempo de oferecer o seu melhor para outros que ficarão satisfeitos com você.

Os clientes que realmente gostam de você, do seu produto ou serviço vão se manter fiéis.

Vão respeitá-lo. Admirá-lo. Falar bem de você e do seu trabalho. Vão te indicar, pagar o combinado e prosperar.

PENSE NISSO!

Você vai crescer muito mais profissionalmente.

Quando você se livrar de pessoas tóxicas, fúteis, falsas, arrogantes, mal educadas, ignorantes, egoístas, venenosas - sejam clientes, amigos, colegas de trabalho, conhecidos, familiares ou empregados.

VALORIZE-SE!

Dê oportunidade para quem realmente te valoriza como ser humano, como profissional, para quem gosta de você pelo que você é.

Pronto Falei!!

Prof. Itamar Vicente Ribeiro - Palestrante

www.professoritamar.com.br

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

A REVOLUÇÃO SILENCIOSA DO TRANSPORTE DE CARGAS AGRÍCOLAS.

 Jornal “O Estado de S. Paulo”, Opinião, 14/09/2020.

 Marcos S. Jank - professor de agronegócio global do Insper.

Corrigindo um erro de nove décadas, ferrovias estão chegando com força ao Centro-Oeste.

 Inaugurada por dom Pedro II, em 1854, a primeira operação intermodal de cargas do Brasil foi a "Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis", um ousado empreendimento do incrível barão de Mauá, o maior empresário do Império.

De 1854 a 1930 o Brasil construiu 30 mil km de estradas de ferro cobrindo a região litorânea do País, com destaque para as malhas das regiões do sul e do sudeste. Nesse período acompanhamos pari passu o exemplo de grandes nações que investiam em ferrovias e hidrovias de longa distância, como Rússia, Índia, Canadá, Austrália e Estados Unidos.

Lamentavelmente, tomamos a direção errada a partir da Presidência de Washington Luís, quando o lema passou a ser “governar é abrir estradas”. Desde então, sucessivos governos passaram a privilegiar longas rodovias e caminhões, em detrimento de soluções multimodais.

Felizmente, esse enorme erro estratégico começa a ser corrigido. Na década de 1970 o Brasil foi o berço da principal revolução tropical agrícola do planeta, que combinou tecnologias inovadoras com empreendedorismo de agricultores arrojados que migraram para os cerrados do Centro-Oeste. Mas a logística de transporte ferroviário não seguiu as novas fronteiras da agricultura e continuou sendo majoritariamente litorânea e estruturalmente precária nas ligações rodoviárias de longa distância do País.

Nos últimos anos, particularmente no governo atual com a excepcional gestão de Tarcísio de Freitas à frente do Ministério da Infraestrutura, as novas opções multimodais estão produzindo uma “revolução silenciosa” no transporte de cargas agrícolas do Brasil.

O principal beneficiário da mudança de modais é Mato Grosso, Estado que lidera a produção agropecuária nacional – com destaque para soja, milho, algodão e pecuária de corte – e se caracteriza como a área que forma o preço marginal da soja no mundo. Situado a mais de 2 mil km dos principais portos, Mato Grosso foi altamente prejudicado pela precariedade das estradas e pelo alto custo do frete rodoviário, que representa entre 15% e 45% do valor da soja no mercado internacional.

Agora as ferrovias estão chegando com força ao Centro-Oeste. A Rumo já carrega em seus trens o equivalente a 1.700 caminhões por dia na Malha Norte (volume de Mato Grosso), que levam menos de 85 horas para descer até Santos, o principal porto agrícola do País. Até o ano que vem a companhia vai operar trens de 120 vagões. Cada trem desses retira 240 caminhões bitrem das estradas.

Após mais de 30 anos de espera, a Ferrovia Norte-Sul, agora operada pela Rumo e pela VLI, estará operacional no segundo semestre de 2021, interligando os portos de Itaqui (MA) e de Santos (SP).

Em paralelo, a conclusão da rodovia BR-163 permitiu a concretização da saída bimodal pelo Arco do Norte, com os grãos do Centro-Oeste sendo enviados por caminhão até o porto fluvial de Miritituba, no Pará, e em seguida por barcaças até os portos próximos a Belém. Essa saída segue o pioneirismo da hidrovia do Rio Madeira, que há mais de 20 anos liga Porto Velho (RO) ao Oceano Atlântico. As novas opções multimodais já permitiram uma redução de 15% nos fretes de cargas agrícolas de Mato Grosso.

O próximo passo da “revolução silenciosa” é a chegada das ferrovias ao coração da produção de soja, milho e algodão de Mato Grosso. Três projetos estão sendo propostos nesse momento: 1) a extensão de 650 km da Ferronorte entre Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, que será construída pela Rumo para movimentar cargas até o porto de Santos; 2) a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), que vai na direção oeste-leste, podendo futuramente chegar ao porto de Ilhéus; e 3) a Ferrogrão, que pretende alcançar os portos do Arco do Norte, complementando a saída pela BR-163.

Três ferrovias levando grãos do Centro Oeste para o norte, o leste e o sudeste do País constituem um novo paradigma inimaginável de desenvolvimento para a agricultura brasileira. É hora de concretizá-lo, sem pestanejar, pois só depende de leilões ou aprovações do governo.

Vale lembrar que entre granel e contêineres essas ferrovias transportam grãos, açúcar, fertilizantes, etanol, algodão, celulose, café, carnes e muitas outras commodities. Ademais, a opção pelos modais ferroviário e hidroviário traz muitos outros benefícios para o País, se comparados à alternativa rodoviária de longa distância: redução de emissões de gases de efeito estufa e de poluição atmosférica, maior eficiência energética, menor consumo de diesel por quilômetro percorrido, maior segurança e redução de desgastes e acidentes nas estradas, gerando economias importantes para a saúde pública e o meio ambiente.

Temos de aproveitar essa chance de realizar grandes investimentos privados em sistemas multimodais que demandam apenas concessões e autorizações do poder público. Em tempos de tantas notícias ruins por causa da pandemia global, poder corrigir nove décadas de dependência exclusiva e arriscada do transporte rodoviário em apenas uma década é uma oportunidade fantástica. Ela vai beneficiar não apenas o produtor rural brasileiro, mas, principalmente, o consumidor global.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

As Cloroquinas e o Pensamento Médico.

Texto muito interessante. 


Esse texto é em parte uma resenha do pensamento de Régis Rodrigues Vieira e Carla Rosane Ouriques Couto, publicado no site do movimento “slow.medicine”, em 23/07/2020, e em outra parte uma discordância da tese central do mesmo pensamento.

Por que os médicos estão divididos sobre a utilização ou não da Hidroxicloroquina e da ivermectina no tratamento da Covid 19?

Existem médicos defendendo o uso dessas medicações baseados em suas experiências, no histórico da droga, na fisiopatologia das infecções e em possíveis casos exitosos. Analisam usando o método clínico dedutivo.

O desenvolvimento do raciocínio clínico e consequentemente o tratamento das doenças está fortemente enraizado no pensamento anátomo-fisiopatológico desses médicos que defendem a cloroquina.

Por outro lado, existem médicos desaconselhando o uso das mesmas medicações baseados nos ensaios clínicos realizados, e na falta de evidências estatísticas sobre a eficácia, efetividade e segurança delas no tratamento à covid-19.

Apesar da evolução do pensamento probabilístico, da chamada Medicina Baseada em Evidências (MBE) e do fato de que todas as Escolas Médicas, de alguma forma, incluírem a Epidemiologia Clínica nas suas grades curriculares, o fato é que a assimilação pelos médicos do método estatístico ainda é pequena.

Portanto, essa dicotomia não é somente uma questão ideológica. O que se observa é o embate entre o pensamento fisiopatológico versus o pensamento probabilístico.

O Dr. João Claudio Flores Cardosos foi quem introduziu a epidemiologia clínica no ensino da medicina em Sergipe. Ele se divertia com o espanto dos alunos, todos catequizados pelo pensamento anátomo-fisiopatológico, adotado na Escola. O Dr. Nestor Piva foi o sumo sacerdote dessa ciência médica em Sergipe.

Diz o texto publicado pela “slow.medicine”:

“Não temos na atual crise sanitária, um manual de comportamento ou pensamento médico único. Diante de nós há toda a ciência produzida, de Hipócrates passando por William Osler e Foucault, aos grandes epidemiologistas atuais, num cenário social, estrutural e político complexo, que muitas vezes pouco contribui para a serenidade na tomada de decisões.”

Os arautos do movimento “slow medicine” defendem integração dos métodos anátomo fisiopatológico e probabilístico na prática médica, não percebendo a incompatibilidade entre os dois caminhos.

Acreditam que basta o médico agir com empatia, compaixão, olhar humano, sob a luz da justiça social e da racionalidade científica, na condução do seu pensamento e na tomada de decisões, que o milagre da unificação dos métodos acontecerá.

O método anátomo fisiopatológico conduz a individualização dos doentes, cada caso é um caso, em sua forma de adoecer e morrer, o objeto do cuidado médico é o doente, que requer cuidados específicos, próprio da medicina artesanal. Nesse método, a Clínica é soberana!

O método probabilístico conduz aos protocolos, a padronização dos procedimentos, a uma terapêutica uniformizada e impessoal. O objeto da medicina é a doença. Esse método estatístico esvazia a subjetividade do cuidado médico, permitindo o seu consumo no mercado, em sua forma de mercadoria.

Claro, os médicos podem usar dos dois métodos, ora um, ora outro, em pessoas diferentes. Mas não podem fundir os dois métodos num mesmo paciente. Ou se usa o raciocínio clínico dedutivo, individualizado, ou se usa os protocolos, centrados em evidências estatísticas, com as suas condutas padronizadas.

Existe uma contradição entre a medicina assumir a responsabilidade de cuidar de uma pessoa doente e que esteja sofrendo, para a assistência sanitária voltada para curar de modo eficiente o maior número de pessoas, reduzindo os custos e os tempos.

As discussões não são bizantinas, elas expressam uma dualidade do pensamento médico atual.

A medicina de mercado é incompatível com as subjetividades, ela precisa dos protocolos, da objetividade, da produtividade medida e da previsibilidade segura dos lucros.

A medicina artesanal produz cuidados, a medicina de mercado produz procedimentos. São consumos distintos.

Quando os médicos ignoram as evidências do método probabilístico, cientificamente dominante, e prescrevem as cloroquinas, optando por seguir a sua casuística, a sua sensibilidade (a arte médica), mesmo que inconscientemente e de forma passageira, eles estão resistindo.

Quantos abdomens os cientistas já palparam? Perguntou enfático um velho clínico, devoto da cloroquina...

Essa discussão metodológica não é excludente, não afasta outras motivações de natureza político ideológica que permeiam a conjuntura.

Antonio Samarone (médico sanitarista)

Fonte: http://93noticias.com.br/noticia/50859/as-cloroquinas-e-o-pensamento-medico-por-antonio-samarone

segunda-feira, 29 de junho de 2020

A Revolta de Atlas.

Não deixei que determinassem o objetivo ao qual eu dedicara meus anos de formação, nem as condições sob as quais eu trabalharia, nem a escolha de pacientes, nem o valor de minha remuneração. 

Observei que, em todas as discussões que precediam a escravização da medicina, tudo se discutia, menos os desejos dos médicos. As pessoas só se preocupavam com o “bem-estar” dos pacientes, sem pensar naqueles que o proporcionavam. A ideia de que os médicos teriam direitos, desejos e opiniões em relação à questão era considerada egoísta e irrelevante. Não cabe a eles opinar, diziam, e sim apenas “servir”. 

Que um homem disposto a trabalhar sob compulsão é um irracional perigoso demais para trabalhar até mesmo num matadouro é coisa que jamais ocorreu àqueles que se propunham a ajudar os doentes tornando a vida impossível para os sãos. Muitas vezes me espanto diante da presunção com que as pessoas afirmam seu direito de me escravizar, controlar meu trabalho, dobrar minha vontade, violar minha consciência e sufocar minha mente – porque o que elas vão esperar de mim quando eu as estiver operando? 

O código moral delas lhes ensinou que vale a pena confiar na virtude de suas vítimas. Pois é essa virtude que eu agora lhes nego. 

Que elas descubram o tipo de médico que o sistema delas vai produzir. Que descubram, nas salas de operação e nas enfermarias, que não é seguro confiar suas vidas às mãos de um homem cuja vida elas sufocaram. Não é seguro se ele é o tipo de homem que se ressente disso – e é menos seguro ainda se ele é o tipo de homem que não se ressente.

(Ayn Rand,  A revolta de atlas)
Publicado em 1957, e mesmo assim continua sendo extremamente atual!

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Atividades Físicas Para Crianças e Adolescentes.

Como possibilitar que crianças e adolescentes pratiquem atividades físicas com segurança pós-quarentena da COVID-19?

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria

Crianças praticando esportes no parque | Vetor Premium

Os benefícios das atividades físicas em todos os ciclos da vida estão bem documentados na literatura, com grande potencial para prevenção/tratamento de doenças crônicas não transmissíveis e diminuição da morbimortalidade . No momento atual, tem-se dado atenção especial à relação da prática de atividades físicas e sistema imunológico. Em geral, evidências robustas demonstram efeitos positivos da atividade física sobre o sistema imunológico com importante ação anti-inflamatória . Contudo, é preciso estar atento ao tempo de duração e, especialmente, à intensidade da atividade, pois são moduladores dessa relação.
Tanto atividades com duração muito longa quanto aquelas com intensidade muito elevada podem ter um efeito agudo negativo sobre o sistema de defesa do organismo4 . A relação da intensidade das atividades físicas com o sistema imunológico tem sido representada por uma curva “J”. Na prática, isso significa que atividades físicas de intensidade moderada aumentam as defesas do organismo, ao passo que exercícios muito intensos podem causar imunossupressão. Estudo demonstrou que as infecções do trato respiratório superior podem diminuir em até 50% para indivíduos que realizam atividades físicas regulares de intensidade moderada e aumentar em até seis vezes para aqueles que realizam atividades muito intensas, ambos quando comparados com indivíduos sedentários .
No mesmo sentido, o corpo de evidências de estudos epidemiológicos também sugere que a atividade física regular e de intensidade moderada com duração entre 30 e 60 minutos por sessão está associada à diminuição da mortalidade e das taxas de incidência de influenza e pneumonia4 , reforçando a importância da adoção/manutenção de modos de vida mais ativos neste momento de pandemia de COVID-19.
Nos últimos meses o mundo tem observado duas pandemias, a da COVID-19 e a da diminuição considerável da prática de atividades físicas e aumento dos comportamentos sedentários entre pessoas de todas as etnias, condições socioeconômicas e faixas etárias . A pandemia da COVID-19 criou uma situação de isolamento social extremo gerando assim o chamado estresse tóxico7 , em que famílias foram obrigadas a adotar novos modelos de convivência, tais como: trabalhar em casa, estudar diariamente com os filhos, utilizar mídias digitais/plataformas de ensino, assumir os trabalhos domésticos (alimentação, limpeza, compras de supermercados e higiene dos produtos recebidos, entre outras tarefas).
O espaço doméstico, muitas vezes bastante limitado, teve que ser adaptado para atividades físicas mínimas e, consequentemente, se tornando um fator obesogênico. Ainda que as tarefas domésticas (ex.: varrer, passar, limpar a casa/faxinar, subir e descer escadas, etc) representem um dos quatro domínios da atividade física, o gasto energético e o estímulo fisiológico envolvido é geralmente reduzido, especialmente entre a população pediátrica
Idealmente, as crianças e adolescentes deveriam acumular 60 minutos de atividade física de intensidade moderada a vigorosa por dia, incluindo modalidades que estimulem ossos, músculos, mobilidade articular e exercícios envolvidos no desenvolvimento motor e de habilidades como equilíbrio e coordenação. Nesse período de isolamento domiciliar, atender às recomendações de prática de atividades físicas tem sido um desafio também para os jovens. Neste sentido, visando aumentar o nível de atividade física, crianças e adolescentes podem praticar atividades físicas em casa de forma lúdica brincando de bambolê, cabra cega, amarelinha, pular corda, caminhar sobre corda no chão e cabo de guerra8 . As ideias de atividades incluem jogos tradicionais de recreio em ambientes fechados (esconder e procurar, marcar, pular) e criatividade (construir uma pista de obstáculos, jogar vôlei de balão ou aprender a fazer malabarismos).
Além da diminuição da prática de atividades físicas, o confinamento social também demonstrou aumento expressivo da utilização das telas e dispositivos digitais, uma das ferramentas encontradas pelos pais para “entreter” crianças e adolescentes, modificando consideravelmente o comportamento individual e familiar. As tecnologias digitais, embora muito úteis para a sociedade contemporânea, precisam ser orientadas pelos pais e responsáveis para promover uma utilização harmoniosa dos jovens. Diversos documentos e recomendações publicadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) tratam do uso das tecnologias digitais de maneira positiva, inclusive podendo contribuir consideravelmente para o aumento da prática de atividades físicas durante o isolamento domiciliar.
O distanciamento social tem sido considerado a principal medida de enfrentamento à transmissão desordenada da CODIV-19. Pesquisa recente realizada com dados de onze países europeus demonstrou que mais de 3 milhões de vidas foram salvas devido a medidas de distanciamento social11. Atualmente no Brasil, a flexibilização dessas medidas está presente na agenda política e da sociedade em geral, devendo ocorrer em futuro próximo. Assim, torna-se necessário discutir cuidadosamente a maneira ideal e segura da prática de atividades físicas no “novo normal”.
Considerando recomendações recentes disponíveis na literatura9,12-17, o Grupo de Trabalho em Atividade Física da SBP disponibiliza algumas orientações importantes para escolas, professores de educação física, pais e cuidadores em geral:
a)       Escolas
• Elaborar um plano de volta às aulas presenciais que inclua precauções e cuidados específicos para a prática de atividades físicas.
• Organizar o espaço escolar para evitar grandes grupos/contato físico próximo e possibilitar o distanciamento físico entre os alunos nas atividades físicas e no recreio.
• Reforçar a importância e necessidade da utilização de máscaras durante todo o período de prática de atividades físicas.
• Orientar a lavagem frequente e correta das mãos, bem como, disponibilizar álcool em gel para uso entre os alunos antes e após a prática de atividades físicas,
• Proporcionar desinfecção frequente das superfícies de todos os materiais esportivos (bolas, halteres, raquetes, tacos, brinquedos, cordas, bambolês, etc) e ambientes escolares (ex.: playground, salas de ginástica, musculação e dança, etc) destinados às práticas de atividades físicas.
• Disponibilizar água potável em diferentes espaços escolares para estimular e garantir hidratação adequada dos alunos antes, durante e após a prática de atividades físicas.
• Estar especialmente atenta às famílias menos assistidas e em situação de vulnerabilidade social visando orientar/auxiliar pais e cuidadores a manter seus filhos ativos e seguros.
• Propor cursos de formação continuada para professores e demais funcionários da escola sobre autocuidado e cuidado com o outro nos períodos de pandemia e pós-pandemia, incluindo as atividades físicas neste processo.
         b) Professores de Educação Física:
• Planejar as aulas de educação física escolar visando evitar/desencorajar a prática de esportes coletivos e atividades de contato corporal e/ou que impossibilitem o distanciamento entre os participantes. Embora não haja consenso, tem-se sugerido entre 1 e 2 metros para atividades físicas estáticas e, devido a efeitos aerodinâmicos, distâncias maiores para atividades físicas com deslocamento podem ser necessárias (ex.: 5 e 10 metros para caminhas e corridas, respectivamente)14-17,18.
• Desenvolver as práticas corporais ao ar livre ou em espaços mais arejados possíveis, tendo em vista o aumento considerável do risco de transmissão da COVID-19 em ambientes fechados16.
• Para grande parte das pessoas, incluindo jovens, o isolamento domiciliar tem favorecido/favoreceu a diminuição do condicionamento físico. Este cenário precisa ser considerado no planejamento de aulas e práticas corporais em geral.
• Propor, preferencialmente, atividades físicas de intensidade moderada visando potencializar a melhora do sistema imunológico a médio e longo prazo, bem como, minimizar uma possível imunossupressão aguda decorrente de exercícios com intensidade muito elevada.
• Estimular a hidratação antes, durante e após a prática de atividades físicas. A desidratação pode contribuir para imunossupressão e, desta forma, aumentar o risco de infecção por viroses em geral, incluindo a COVID-19.
• Atividades esportivas individuais como atletismo, jogos de raquete, karatê, skate e capoeira podem ser uma boa estratégia neste período, pois com poucas adaptações pode ser garantido o distanciamento físico entre os participantes.
• Atividades de circuito também podem ser uma opção interessante para desenvolver diferentes componentes da aptidão física relacionada à saúde, em especial a aptidão aeróbia. Essas atividades, além de terem a vantagem de possibilitar adaptações para diferentes faixas etárias e serem muito atrativas tanto para crianças quanto para adolescentes, podem facilitar o distanciamento entre os alunos devido a sua estrutura organizacional baseada em estações.
• O Yoga, uma prática milenar que pode ser realizada por indivíduos de qualquer idade, representa uma ferramenta relevante para melhora da saúde física, com importante estímulo para ganho de flexibilidade e força muscular. Além disso, o Yoga pode ser especialmente importante para o momento atual por possibilitar o distanciamento físico durante a prática e contribuir para a estabilização da saúde emocional e mental, auxiliando no enfrentamento do estresse, ansiedade e sintomas depressivos.
• Esportes de aventura podem ser propostos como atividades extraescolares, sempre que possível. Essas ações podem ser realizadas em ambientes ao ar livre e também estimular o contato dos jovens com a natureza.
• Ajudar crianças e adolescentes a adaptar jogos e brincadeiras presentes na cultura da comunidade em que estão inseridos visando garantir o distanciamento social.
• Participar ativamente da construção de um plano de trabalho conjunto com toda a comunidade escolar de conscientização dos alunos para prática segura de atividades físicas neste período de pandemia. Propostas coletivas são fundamentais para aumentar a efetividade das ações!
b)      Pais e cuidadores:
. Enfatizar as medidas de isolamento e mínimo contato, principalmente em áreas comuns como parques, pracinhas e condomínios. É importante que pais e cuidadores aumentem a vigilância visual para garantir o distanciamento físico, especialmente entre crianças.

• Atentar para a segurança das crianças principalmente no trânsito (travessia de ruas, espaços muito amplos com pouca supervisão), pois o grande período de confinamento pode gerar excesso de energia positiva para atividades físicas ao ar livre.

• Reforçar todas as medidas de prevenção que deverão persistir mesmo após a volta à “normalidade”, tais como: lavagem constante de mãos com sabão, uso do álcool em gel, manter o distanciamento e mínimo contato físico com outras pessoas e evitar grandes aglomerações.

• Promover a limpeza constante de brinquedos de uso frequente, em especial aqueles utilizados fora do domicílio e que tenham sido compartilhados com outras crianças.

• Ter sempre álcool em gel disponível para todas as atividades, principalmente naquelas em que há contato frequente de mãos e pernas nos parques infantis (balanço, escorrega, carrossel, redes para escalar, etc).

• Estimular uso de máscaras faciais de pano adequadas nas atividades ao ar livre, levando em consideração a idade da criança/adolescente e o nível de compreensão da faixa etária envolvida19. Os adolescentes possuem capacidade cognitiva para utilizar as máscaras de barreira de maneira correta, assegurando maior proteção individual e de grupo. Deve ser lembrado que o uso de máscaras em atividades aeróbias como corridas, jogar futebol/basquete e andar de bicicleta requer um período de adaptação ao novo modo de respirar “dentro da máscara”.

• Dar preferência a atividades ao ar livre em espaços amplos como praças e parques, priorizando contato com a natureza20: árvores, galhos soltos, terra, água, grama. Pular, correr, rolar são exemplos de atividades a serem desenvolvidas nessas áreas. Em lugares nos quais a praça ou parque estejam em mau estado de conservação, sugere-se a busca por outras famílias e entidades privadas para promover a revitalização comunitária do local.

. Reservar tempo nos fins de semana para praticar alguma atividade física com seus filhos: andar de bicicleta, brincar de bola, fazer castelo de areia, estimulando modos de vida saudável.

• Os pais podem acessar as mídias digitais para procurar atividades físicas virtuais como jogos interativos, danças e aulas aeróbicas de acordo com a faixa etária dos filhos9 . Por outro lado, também é muito importante neste momento estabelecer limites para uso de tecnologia digital, especialmente quando estimule o comportamento sedentário, conforme as faixas etárias e seguindo o Manuais de Orientação da SBP sobre “Promoção da Atividade Física na Infância e Adolescência”8 e “Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital”21.

• Dividir atividades domésticas com os filhos pode ser importante tanto para aumentar o nível de atividade física quanto para estreitar os laços e aumentar a cumplicidade familiar.

• Evitar que seus filhos pratiquem atividades físicas em caso de apresentarem sintomas gripais/respiratórios.

• Estimular o retorno gradativo às técnicas de esporte-terapia para crianças com necessidades especiais através do contato com educadores físicos e horas programadas para realização dos exercícios. A SBP está empenhada em mostrar que a prática de atividades físicas é de grande importância para a saúde física, mental e emocional de crianças e adolescentes, principalmente após esse período prolongado de isolamento domiciliar.