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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Diamantina em situação de emergência.

Tava lendo esta notícia com atraso e confesso que não ando abismado com mais nada.

Mas, por morar aqui em Diamantina e não ter visto alagamentos ou destruições, chego a conclusão que foi uma bela manobra pra receber recursos, justamente no período pré-carnaval.

Agora sim, estamos aqui em situação de calamidade. A cidade invadida por foliões, nem todos bem intencionados e bem comportados e todos os moradores realmente numa situação de emergência, afogados em mijos e sujeiras, enclausurados e intimidados por essa massa e essa folia, chamada carnaval.

E por isso, a prefeitura conseguiu assumir muita coisa sem parceria pra este carnaval, além de oferecer recurssos, que apesar de não aliviarem os estragos da festa, não estão sendo cobrados, como em todos os anos anteriores.

Agora sim, deu pra entender...

Leiam a notícia abaixo:

02/02/2012 12h32 - Atualizado em 02/02/2012 12h32

Número de cidades em emergência sobe para 218, diz Defesa Civil

Diamantina foi o último município a entrar para a lista.
19ª morte por causa das chuvas foi confirmada nesta quarta-feira (1º).

Do G1 MG

A Coordenadoria de Defesa Civil de Minas Gerais informou nesta quinta-feira (2) que o número de cidades em situação de emergência subiu para 218. Diamantina, na Região Central do estado, foi a última cidade a entrar para a lista. De acordo com o órgão, chuvas que atingiram o estado desde outubro de 2010, início do período chuvoso, provocaram alagamento no município. No total, 3,5 milhões de pessoas foram afetadas. Destas, 102.401 ficaram desalojadas, 9.023 desabrigadas e 194 ficaram feridas.

Fonte:G1: endereço: http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2012/02/numero-de-cidades-em-emergencia-sobe-para-218-diz-defesa-civil.html

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O brilho de Diamantina


Diamantina



Por: Viaje Mais/Tales Azzi
O brilho raro de Diamantina
Dizem que no começo do século 18, os moradores do antigo Arraial do Tijuco usavam diamantes para marcar o jogo de cartas. Talvez a história não seja só lenda, já que naquela época, o povoado, que daria origem a Diamantina, despontava como maior produtor da mais valiosa das pedras em todo mundo. Nos dois séculos seguintes, estima-se que cerca de duas toneladas de brilhantes saíram dos rios e das grupiaras de garimpo da região, riqueza tamanha que engordou os cofres de Portugal e fez surgir uma das maiores jóias do período colonial do Brasil. A própria Diamantina é uma grande pedra rara. Como se na imensidão dos morros escuros de quartzito cobertas pela vegetação de cerrado, os sobrados brancos de janelões coloridos e as torres pontiagudas das igrejas barrocas ressaltassem na paisagem feito o brilho de um diamante oculto no cascalho do Ribeirão do Guinda, onde até hoje há quem bata peneiras para tentar a sorte.
A comparação com Ouro Preto é inevitável. Todo mundo que chega faz. É fácil constatar que Ouro Preto tem museus e igrejas bem mais ricas, além de oferece melhor infra-estrutura turística, com mais variedade de pousadas e restaurantes. Mas é fácil concluir, que Diamantina é bem mais autêntica. Pelo menos, ainda não foi contaminada pelo turismo de massa, apesar da relativa fama que goza. É uma das seis cidades brasileiras que pertencem a seleta lista de Patrimônio Mundiais da Humanidade reconhecidos pela Unesco em 1999. Mesmo assim, não há ônibus de excursão estacionados, nem grandes grupos armados de câmeras fotográficas, só um ou outro casal passeando de mãos dadas observando os sobrados. Diamantina ainda não despertou do passado e segue no presente quase exclusiva de seus próprios moradores. São praticamente deles as mesas dos bares da Rua da Quitanda, a feira no antigo mercado aos sábados pela manhã e os bancos da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, cujo som ambiente vem da Ave Maria rezada em coro pelas beatas seja qual for a hora do dia.
O motivo disso é a distância, pois Diamantina está a 300 km, ou cerca de quatro horas de carro, de Belo Horizonte. Ou talvez seja a preguiça, reforçada pela proximidade de Ouro Preto, que fica quase ao lado da capital mineira. Sorte de quem vai, pois os diamantinenses não se importam em compartilhar a cidade com os visitantes, que podem caminhar com calma pelas ladeiras com calçamento em pedra-sabão e admirar os casarões dos séculos 18 e 19. Não há postes a vista no centro histórico porque toda a fiação foi transferida para debaixo do solo para não comprometer o visual. Diamantina lembra cenário de minisérie de época da Globo. E é mesmo já que lá rodaram diversas delas, a mais recente, com previsão de estréia para agosto de 2010, chamada A Cura, na qual o ator Selton Melo protagoniza um médico com poderes de curas espirituais.

Veja fotos de Diamantina


Cultura

Centro histórico de Diamantina


Por: Viaje Mais/Tales Azzi
A cidade surgiu a partir de 1714 quando alguém "acidentalmente" teria encontrado uma bonita pedra transparente misturada ao cascalho de algum rio. Os diamantes eram encontrados com incrível facilidade, mesmo à flor da terra. Por quase dois séculos o solo da região foi escarafunchado na caça às pedras. Diamantina era a principal cidade do chamado Distrito dos Diamantes e ponto de partida da antiga Estrada Real, o caminho usado por tropeiros para transportar o produto do garimpo até os portos de Parati e Rio de Janeiro, e que também passava por Ouro Preto.
Ainda hoje há caçadores de tesouros por lá. É o caso de Belmiro Nascimento, que todo dia bate peneiras às margens do Ribeirão do Guinda. Remexe o cascalho do rio e cavuca a terra enquanto alimenta a esperança de encontrar um diamante que faria a família folgar por meses, anos ou pelo resto da vida. O garimpeiro sabe que precisa ter fé e paciência. Os meses podem correr sem que o brilho da pedra apareça diante dos olhos. "O garimpo é um jogo e a ficha é a nossa vida", diz. Quase sempre, volta pra casa sem o prêmio tão desejado. Mas a sorte vem de vez em quando, e assim o garimpeiro vai pagando as contas já se vão 30 anos.
Belmiro organiza visitas ao garimpo artesanal onde trabalha para ensinar aos turistas os segredos da técnica artesanal da atividade. Cada visitante ganha o que ele chama de "peneirada de cortesia" com uma pilha de cascalho potencialmente precioso onde ele diz ter escondido uma pedra. Se alguém encontrá-la pode ficar com ela. Quase nunca acontece, mas se você estiver com muita, mas muita sorte, talvez encontre o seu.

Garimpeiro
O melhor garimpo em Diamantina se desenrola pelas ruas do centro histórico, onde ninguém terá dificuldade para encontrar verdadeiras preciosidades da cidade, que inclui o mercado, que antigamente funcionava como pouso de tropeiros; a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, com altar barroco folhado a ouro; o Museu do Diamante; e o Passadiço da Glória, no antigo orfanato das irmãs vicentinas que construíram a curiosa passagem de madeira entre as duas casas opostas para evitar que as internas cruzassem a rua sob a mira da molecada. Atualmente, as casas pertencem a Faculdade de Geologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Ninguém perde também a visita as casas onde viveram Xica da Silva e Juscelino Kubistcheck, os dois personagens mais famosos da cidade. Xica da Silva, na época do auge do garimpo, foi a ex-escrava de dentes alvos e curvas salientes que virou a "Rainha do Tijuco", ao cair nas graças do homem mais poderoso da região, o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira, que fez todos os caprichos da amada, cobrindo-a de luxo. Conta-se que Xica era mulata geniosa e cheia de vontades. Não pisava em chão sem tapete, vestia roupas com brilhantes e tinha mucamas brancas, só para afrontar as damas da sociedade. Os dois nunca se casaram oficialmente já que as leis da época não permitiam matrimônio com pessoas de classes tão distintas. Mesmo assim, João Fernandes mandou construir a igreja de Nossa Senhora do Carmo com a torre nos fundos para que o badalar do sino não incomodasse os ouvidos sensíveis de Xica.
Já o ex-presidente Juscelino Kubitscheck, ou Seu Nonô como era conhecido pelos amigos mais íntimos, nasceu, cresceu e nunca se esqueceu da cidade-natal. A tal ponto que, frequentemente, mandava servir em encontros presidenciais o frango com quiabo que tanto gostava dos tempos de infância e ainda convidou o amigo Oscar Niemeyer a construir um hotel e uma escola em Diamantina, em pleno centro histórico, com o mesmo estilo das obras de Brasília.
Ao construtor da capital federal também é atribuído o fortalecimento da tradição musical em Diamantina. JK era um famoso amante das serenatas e não perdia uma nos tempos de adolescente. Quase toda casa em Diamantina tem algum instrumento musical e há uma centena de grupos espalhados pela cidade. Os mais famosos, o Bartucada e o Baticaverna, surgiram para animar o carnaval décadas atrás e já ganharam projeção nacional. Todos os finais de semana há serenatas e música ao vivo pelas ruas de Diamantina.
O ponto alto dessa tradição acontece no período das vesperatas, entre maio e outubro. Duas vezes por mês orquestras municipais apresenta-se na Rua da Quitanda. Os músicos tomam lugar nas sacadas dos casarões e o maestro na rua, ao lado do povo, rege canções que alternam boleros, sambas, MPB e do cancioneiro popular, incluindo Peixe Vivo, música que acabou virando uma espécie de hino em homenagem a Juscelino. É um evento emocionante e responsável pelo principal movimento turístico em Diamantina, quando muita gente chega, principalmente de Belo Horizonte, lotando as pousadas. Para conseguir vaga em dia de vesperata é preciso fazer a reserva com antecedência de, no mínimo, um mês.

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Roteiros

Rua da Quitanda

Por: Viaje Mais/Tales Azzi
As atrações de Diamantina felizmente não resumem-se as ruas do centro histórico. Quem chega quase sempre estende os passeios pelos vilarejos nos arredores, como Biribiri, São Gonçalo do Rio das Pedras e Milho Verde, além de visitar grutas e cachoeiras nos arredores.
O mais próximo é a vila de Biribiri, uma antiga fábrica têxtil, aberta em 1876, que parou de funcionar há décadas e virou uma minicidade habitada apenas por apenas seis pessoas, embora possua igreja tombada pelo patrimônio histórico, escola e uma dúzia de casas com paredes de adobe, todas vazias, herança do tempo em que a fábrica contava com cerca de 600 trabalhadores. Um gramadão no centro de tudo serve para que Seu Raimundo "Sem Braço", dono do único restaurante local, espalhe as mesas do estabelecimento à sombra das árvores. É um passeio bucólico e muito tranquilo. Um dos moradores é Gilson de Oliveira, trabalhador na velha fábrica e gostou tanto do lugar que nunca mais foi embora, passa os dias ali contando causos e divertindo os poucos visitantes de Biriribi.
O acesso se dá por uma estrada de terra de 22 km que começa ao lado de Diamantina e atravessa a área de preservação ambiental do Parque Estadual do Biribiri. No caminho até a fábrica, há duas cachoeiras quase à beira da pista, a dos Cristais e do Sentinela. Há placas indicando a entrada, mas a passagem só fica liberada nos finais de semana, quando há segurança de plantão para vigiar os carros.

Milho Verde
Seguindo por outra estrada de terra, que oficialmente marca o início da Estrada Real, conduz a dois vilarejos de nomes curiosos São Gonçalo do Rio das Pedras e Milho Verde. Ambas surgiram durante o ciclo da mineração no século 18, mas não se desenvolveram como Diamantina. Vivem paradas no tempo. A primeira delas ainda conta com ruas de pedras irregulares e casas coloniais. Tem um bom restaurante, o Angu Duro, e a simpática Pousada do Capão, ponto de apoio para quem quiser explorar as cachoeiras nas redondezas.
Seis quilômetros adiante, Milho Verde consegue ser ainda mais simples e tranquila, tal como sugere o nome do lugar, com carroças de boi parada à frente das casas de pau a pique e do chafariz onde as lavadeiras trocam comadrices. Mas há preciosidades para garimpar ali, como o doce de laranja que saem dos tachos de Dona Elisabete, o café da manhã servido com pães caseiros de Dona Geralda, as jóias de prata e cobre do alemão Tomas Kuberek e a conversa ao pé da porta com Dona Maria "do Coração", a benzedeira mais alegre e famosa da região, que tem receitas de curas de espinhela caída a picada de cobra. O ponto de encontro da moçada é o Bar Ovelha Negra, do italiano Franco Bouchard, que veio ao Brasil numa viagem de seis meses terminada assim que ele pisou em Milho Verde. Não há muito o que fazer no vilarejo além de curtir a paz da ruas de terra do povoado e sair para conhecer as cachoeiras em torno da Serra do Espinhaço, como a do Moinho, Carijó e do Piolho, todas com acesso bem fácil de carro.
Se Diamantina lembra cenário, Biribiri, Milho Verde e São Gonçalo do rio das Pedras são como cidades cenográficas mesmo. E a sensação é, no mínimo, curiosa, pois provavelmente você será um dos poucos, senão o único visitante por lá. E bem diferente do que qualquer turista experimentaria nas outras cidades históricas de Minas.

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Gastronomia

Vandeka


Por: Viaje Mais/Tales Azzi
O chef que veio de garimpo
A história da gastronomia mineira passa obrigatoriamente por Diamantina e pela herança deixada por garimpeiros e tropeiros, que serviam-se dos ingredientes encontrados no fundo do quintal: galinha, couve, quiabo, milho... Pratos substanciosos eram necessários para o trabalho árduo de caça às pedras na beira dos ribeirões.
Já a história da comida da cidade passa por Luiz Rosário Vieira Lobos, o Vandeka, um chef especialista em culinária mineira, cujas panelas de pedra e barro já serviram até presidentes da república, caso de Tancredo Neves e Fernando Henrique Cardoso. Vandeka conta que aprendeu a cozinhar aos 13 anos com a avó. Na adolescência, nos idos dos anos de 1970, trabalhava em acampamentos de garimpeiros fazendo comida em baciadas para centenas de trabalhadores das minas. Desde 1988 comanda a cozinha do restaurante da Pousada do Garimpo.
Seu cartão de visitas é o chamado Bambá do Garimpo, um prato típico feito à base de feijão batido, costelinha, couve picada bem fininha e angu. Vandeka ainda aperfeiçou a receita, originalmente chamada de entrecosto de porco, com novos temperos e proporções equilibradas dos ingredientes, tornando-a menos calórica. No cardápio do restaurante, o Bambá junta-se a outros clássicos, como o tropeiro, o lombo com tutu e o frango com quiabo. Para sobremesa há uma imperdível casquinha de limão com doce de leite, no qual a fruta passa oito dias apurada, com troca de água a cada duas horas, para perder o amargor. Esqueça a dieta e não deixe de provar.

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Serviços

Cachoeira do Limieiro


Por: Viaje Mais/Tales Azzi
Por estar numa região de montanhas, a meia enscosta da Serra do Espinhaço, a tempertaura em Diamantina pode cair bastante no inverno. Portanto, leve agasalhos. Entre maio e outubro acontecem as vesperetas, em sábados alternados.

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Pacotes

Clique aqui e veja pacotes para Diamantina

fonte: http://viagem.br.msn.com/destinos-artigo.aspx?cp-documentid=27625568

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Diamantina - Um local maravilhoso que merece mais respeito.

Tava lendo este texto de 2002 e vejo que pouquíssima coisa ou quase nada mudou em nossa cidade.
Claro, o texto radicaliza e trata de problemas que não são exclusivos de Diamantina e sim do nosso e de diversos países, muitos inclusive, ditos de primeiro mundo.
O alccolismo não é exclusividade do garimpo, assim como as drogas e roubos não são exclusivos da pobreza. Basta relembrar as meias e cuecas cheias de dinheiro em Brasília e adjacências, os loucos que saem pelas ruas e escolas dos EUA atirando em todo mundo, os países ricaços do petróleo no oriente com Ferraris banhadas a ouro disputando atenção com atentados frequentes matando inocentes e a famosa polícia inglesa fuzilando pelas costas o Jean Charles e dando o maior exemplo de impunidade e desvalorização do ser humano.
De todo modo, é bom lermos este texto e ver o que é possível mudar e melhorar, já que o hoje dura apenas 24 horas e o amanhã não existe. E a vida passa muito rápido, pra cargos e administrações municipais, estaduais e federais serem ocupadas por gente incompetente.

Revista Turismo. http://www.revistaturismo.com.br/Diariodebordo/diamantina.html

Diamantina - Um local maravilhoso que merece mais respeito - Fev/02


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Ao definir como roteiro uma localidade turística, o viajante muitas vezes subentende que o lugar escolhido lhe permitirá a permanência em hotéis de bom acabamento e serviços condizentes à sua expectativa,
No entanto, quem embarca rumo a Diamantina não pode esperar encontrar todos esses recursos nem mesmo variedade de luxo e requinte. Apesar de abrigar diversas instalações com paredes e objetos em ouro (as igrejas), o verdadeiro charme do local está nas casas e vielas que lembram o Brasil dos tempos em que era colônia de Portugal.

Reconhecido em agosto de 1999 pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade, o local já foi berço de nomes importantes da nossa história mais recente, como ex-presidente JK, serviu de inspiração para a música de Milton Nascimento e tantos outros, transformou-se até em cenário para novelas, tendo como personagem principal Chica da Silva, ilustre habitante.

Neste contexto, a equipe "Os Viajantes" embarcou em 22 de dezembro de 2001, rumo a esta cidade que é a porta de entrada para o Vale do Jequitinhonha, no nordeste das Minas Gerais.

A idéia era fazer o roteiro por conta própria, mesmo porque não foram encontradas outras opções em agências de viagens. Saindo da rodoviária do Tietê, em tumultuadas vésperas de feriado, os passageiros tiveram de amargar horas até que se regularizassem as saídas dos ônibus.

Apesar deste e de vários outros transtornos causados por falta de policiamento e de organização, as pessoas demonstravam uma imensa alegria em poder estar retornando a sua cidade natal durante as festas de final de ano.

Após o embarque, sem mais contratempos a viagem seguiu normal até o destino final. A escolha do hotel foi feita via internet (onde constavam apenas o nome e telefone dos locais, sem descrição ou foto). Como a viagem teria caráter específico de trabalho, a equipe optou pelo local de custo mais razoável, sendo R$25,00 a diária por casal.

Chegando ao hotel Acapulco, que funciona em um antigo shopping desativado, "Os Viajantes" logo se deparam com algo muito presente em Diamantina: a falta de estrutura para receber turistas.
Sem muitas comodidades, a equipe se preparou para a noite de Natal. Este evento é uma comemoração muito reservada, com caráter bem familiar. As pessoas procuram ficar mais em suas casas, pois também não há outras programações.

As igrejas não abrem, exceto a Matriz que celebra a Missa do Galo. Os enfeites da cidade são modestos. A decoração é sutil quase inexistente. Há muitos espaços interessantes que não são ocupados para este fim festivo.

Para comemorar a chegada do Ano Novo o clima muda um pouco. Casas noturnas organizam seus "reveillons". A equipe Os viajantes foi convidada para acompanhar a virada do ano na boate Oásis ao som de música ao vivo. No local, uma parte do valor arrecadado com os convites (40%) seria destinada à APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais).

Querendo conhecer as outras opções da noite, após essa permanência no Oásis, a equipe "Os Viajantes" foi para a praça do Mercado onde acontecia uma apresentação da banda "Bartucada". Com policiamento precário, este evento ao ar livre parecia fazer referências ao modo de festa que ocorria em séculos passados: Enquanto o povo se amontoava perto de um palco montado com menos de 1,5m de altura, as autoridades locais assistiam ao mesmo evento em camarote situado no vão do Mercado Municipal. Cada mesa para quatro pessoas custava R$80,00. A cena do "pão e circo" não parecia ser mera coincidência.
Além do policiamento insuficiente, as ruas centrais de Diamantina não possuem lixeiras, a infra-estrutura médica é precária. Turistas de outros países encontram intérpretes que falam apenas um inglês sem grande fluência. É praticamente inexistente a presença de profissionais capacitados e treinados para o receptivo. O centro histórico de Diamantina sofre com o descaso para o seu potencial turístico.

Turismo à parte: a vida como ela é
O saneamento básico, mesmo que precário observado no centro histórico, não se estende para os outros bairros. Em visita aos bairros Palha e Gloria, a equipe "Os Viajantes" se deparou com muita miséria.
Casas de bloco e argila, chão de terra batida, vielas estreitas. Uma área de preservação ambiental com esgoto a céu aberto,

Algumas iniciativas empreitadas pela Associação Comercial e Industrial de Diamantina (ACID) procuram amenizar o sofrimento da população que padece de fome e se mergulha no alcoolismo.

Na Campanha "Natal mais solidário, menos solitário" promovida pela ACID foram distribuídas cestas básicas, "as quais foram montadas a partir de 1 tonelada e meia de alimentos arrecadados", segundo o seu presidente Juscelino Brasiliano Roque, uma figura curiosa que apesar de negar que seja candidato a qualquer cargo político age como se estivesse permanentemente em campanha eleitoral. Melhor para o povo que se beneficia das iniciativas desse grande profissional de bom coração.

Hoje a cidade é comandada pelo prefeito Gustavo Botelho Jr. (secretário de obras na gestão anterior), uma figura carismática que a equipe "Os Viajantes" teve a oportunidade de entrevistar.

Ao acompanhar a distribuição de cestas básicas nos bairros Palha e Glória, a equipe "Os Viajantes" conversou com vários moradores e percebeu como o problema do alcoolismo está presente na vida daquelas famílias. Indagado sobre a questão, o prefeito Gustavinho (como é conhecido) explicou que esta questão da bebida foi trazida do garimpo. Como os garimpeiros enfrentavam baixas temperaturas na busca por pedras preciosas, um jeito que encontravam para se aquecer era tomar alguma bebida alcoólica.
"Em uma das casas, encontramos um garotinho de uns 6 anos preparando um 'melado' para aliviar o estado de embriaguez do pai. O que é explicado pelo prefeito de maneira tão natural é um absurdo. Este vício trazido do garimpo lamentavelmente fincou raízes profundas na cidade e nenhuma providência está sendo tomada", afirma Juliano Testa, um dos integrantes da equipe "Os Viajantes".

A miséria também é companhia constante dos moradores dos bairros da Palha e da Glória. "Em uma casa, que fica bem no alto do morro, com acesso extremamente difícil, encontramos um casal que brigava. O marido batia na mulher porque ela havia vendido o telhado para comprar comida". Sobre este caso, o prefeito diz estar empreendendo algumas medidas.

O que alguns moradores do centro histórico comentam é que o prefeito só lembrou daquela gente (os moradores dos bairros Palha e Gloria) na época de se eleger. Depois de eleito veio o esquecimento geral.
Como a presença da equipe "Os Viajantes" tinha um foco maior no turismo, foram apresentados alguns problemas para o prefeito neste sentido. O grupo falou da falta de estrutura para a recepção de turistas, a falta de cestos de lixos pela cidade.

O prefeito Gustavo Jr. informou que algumas providências estão sendo tomadas pela Secretaria de Turismo, atualmente com coordenação de Márcia Dayrell França Botelho.

Se investimentos estão sendo feitos na área de turismo, o grupo não conseguiu identificá-los. O que se observou com muita clareza na coordenadora de turismo foi uma profissional sem noção do potencial turístico que tem em suas mãos.

Questionado também sobre outras questões essenciais como policiamento, atendimento médico e saneamento básico, o prefeito diz estar fazendo o possível para melhorar estas questões. O que se observa, porém, é que a atual administração tem feito, no máximo, é o básico do básico. E essa não é uma conclusão precipitada que o grupo teve após uma rápida permanência na cidade. Esta constatação vem da observação dos fatos e por meio de conversas com muitos moradores.

Refúgio de boêmios, os becos de Diamantina já serviram de inspiração ou cenário para grandes compositores, como Milton Nascimento, fato que os moradores não se cansam de comentar. A cidade realmente é um local fascinante. A única decepção surge ao ver como o turismo e a população local têm sido tratados pelas autoridades locais.

Belezas naturais de Diamantina: outro encanto desprezado
Cada vez mais os turistas estão investindo em "férias verdes", buscando locais de beleza natural. Além do seu centro histórico, seu passado tão presente em cada esquina, em cada ladeira, Diamantina tem vários destes refúgios de encantos naturais.

As inúmeras cachoeiras formam um cenário perfeito para os que adoram o contato com a natureza. Ainda que de uma forma inibida, Diamantina oferece muitas opções aos ecoturistas.
O acesso até os locais não é muito fácil. Menos por uma questão de preservação do local do que por planejamento turístico. O transporte e o combustível foram cedidos por Carlos Eduardo, do portal Diamantina.net.

Durante a permanência da equipe em Diamantina choveu demais o que tornava ainda mais difícil o acesso aos atrativos naturais. O grupo teve a oportunidade de conhecer uma das mais belas cachoeiras, a dos Cristais, situada a 14 km da cidade e é considerada a de maior exuberância da região. Trata-se de uma série de três cachoeiras formando uma grande piscina natural. O relevo e a vegetação são típicos de campo rupestre.

No caminho que leva até as cachoeiras, o grupo avistou um grande muro e tomou conhecimento de que ele fora construído para barrar o lixo de um aterro. O local agora está desativado, mas na época de seu funcionamento, mesmo o muro não seria capaz de impedir a contaminação de rios caso chovesse (a contaminação também se estenderia pelos lençóis freáticos).

Para quem deseja caminhar, e muito, não pode deixar a cidade sem uma visita ao quilombo do Vão. A única exigência para conhecer o local é disposição, pois o caminho é árduo. A trilha chega a ter pontos muito inclinados e para se chegar ao quilombo é só subida, durante quase duras horas de caminhadas.
Mesmos com maltratos e pouco planejamento turístico, Diamantina é um local verdadeiramente fascinante. Apesar da indignação com esta situação, o passeio é satisfatório.

Anote:
· Quando ir: O ano todo. No verão chove bastante.
· O que ver: As edificações históricas e as áreas verdes (cachoeiras e trilhas)
· Onde ficar: Todas as acomodação na cidade são simples. Há hotéis e pousadas
· Como ir: De ônibus (viação Contijo), saindo das Rodoviárias Bresser ou Tietê. De avião, saindo de Congonhas e seguindo até Belo Horizonte, depois pegar ônibus para a cidade. Há possibilidade também de se fretar jatinho do Campo de Marte, em São Paulo, e seguir até Diamantina (é preciso avisar a Prefeitura de Diamantina, com uma semana de antecedência, para que a mesma solicite a preparação da pista de pouso).
· Acesso aos passeios e pontos turísticos: É necessário tratar com transporte particular.

Texto: Mercedes Gomes
Fotos: Juliano Testa





quinta-feira, 1 de julho de 2010

DIAMANTINA É BENEFICIADA PELO PAC.


O prefeito de Diamantina, padre Gê assinou nesta terça-feira em Belo Horizonte a adesão do município ao PAC Cidades Históricas. A cerimônia foi na sede da Superintendência do Iphan-MG.

Entre os objetivos e as ações estratégicas previstas no PAC Cidades Históricas estão a requalificação urbanística dos sítios históricos, com recuperação de espaços públicos, acessibilidade, instalação de mobiliário urbano, sinalização, iluminação e internet sem fio, para estimular usos que garantam o desenvolvimento econômico, social e cultural. As ações buscam, ainda, o financiamento para a recuperação de imóveis privados, recuperação de monumentos e imóveis públicos, o desenvolvimento das cadeias produtivas locais, especialmente as tradicionais, incrementando a capacidade de geração de renda e a melhoria da qualidade de vida.

O acordo prevê investimentos da ordem de R$ 254 milhões para Minas Gerais, distribuídos em 322 ações a serem implementadas nos próximos quatro anos.

O PAC Cidades Históricas foi lançado em outubro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Ouro Preto. O programa é voltado aos municípios com conjuntos ou sítios protegidos no âmbito federal e, ainda, cidades com Patrimônio Cultural registrados. Para integrar ao PAC Cidades Históricas o município, em conjunto com o estado e o Iphan, deve elaborar um Plano de Ação que defina um planejamento integrado, coerente com o Sistema Nacional do Patrimônio Cultural, e com ações sobre o território pactuadas com os diferentes órgãos governamentais e a sociedade.

Ações previstas no Plano de Ação das Cidades Históricas em Diamantina.


A previsão é de investimentos superior a R$ 4 milhões entre 2010 e 2013.


A Secretária Municipal de Cultura, Turismo e Patrimônio, Márcia Betânia informou que estão garantido recursos importantes para intervenções no município como: restauração e requalificação do prédio Niemeyer - antigo Clube JK, criação do Parque Municipal Serra dos Cristais, revitalização do Largo Dom João e Praça Sagrado Coração, implantação do plano de mobilidade e acessibilidade urbana no centro da cidade, criação de oficina e cursos de calceteiro.

O prefeito padre Gê disse que este é um momento de conquista e reconhecimento da importância histórica e cultural de Diamantina. “O Pac das cidades históricas reforça a estratégia do Iphan de buscar a convergência e a integração entre as políticas públicas nas três esferas de governo, para a gestão compartilhada do patrimônio cultural com a sociedade, ampliando as ações de proteção do patrimônio em todo o país, consolidando novas formas de desenvolvimento por meio da valorização do patrimônio cultural", afirmou padre Gê.

Atenciosamente.

Rogério Adriano

Assessoria de Comunicação
Prefeitura Municipal de Diamantina

terça-feira, 1 de junho de 2010

Dia do Motociclista em Diamantina

- Faça Parte desta festa.
06 a 08 de agosto de 2010, no Largo D. João.

- Realização:
- Jornal Gazeta Tijucana
- MC Diamantes do Asfalto
- MC Asas da Liberdade


-Apoio:
Prefeitura de Diamantina
Polícia Militar
Corpo de Bombeiros


Confraternização, Shows, Palestras Educativas e Exposição de Motos.

1- Hotéis em torno da praça do evento: todos com garagem.
Esplanada 3531-1788
Acapulco 3531-8546
Santiago 3531-3407
JK - 3531-8715
2- Outras opções mais próximas ao evento: todos com garagem
Montanhas de Minas = 300 m do evento = 300m de pedra e 200 m de asfalto
Diamante Palace - 3531-3072 = menos de 500 m do evento. Trajeto todo em asfalto
Pousada Sossego = 600 m do evento = trajeto todo em asfalto
Estilo de Minas 3531-5333 = entrada da cidade = 1 km do evento - trajeto todo em asfalto
HS 3531-8715 = BR antes de chegar a cidade = 4 km do evento = trajeto todo em asfalto
Seresta = 600 m do evento = trajeto todo em asfalto
3- Hotéis no centro Histórico, com garagem:
H Tijuco 3531-1022
Nhá Mocinha = 3531-3100
Capistrana = 3531-6560
Cristais = 3531-3923
Relíquias do Tempo = 3531-1627
Caminho dos escravos = 3531-6416
4- Hotéis no Centro Histórico = sem garagem
Beco do Mota = 3531-2433
Serrana = 3531-1079
Amélia = 3531-4095
Gameleira = 3531-1900
Ouro de Minas = 3531-2306
Sempre Viva = 3531-1043

Área de Camping = entrada da Cidade = 1,5 Km do evento. Simplesmente expetacular.
Acesso por asfalto e 60 m de terra batida na entrada.


obs: isso aí, pessoal. Agora é detonar nos convites, nos ajudando a espalhar a notícia.
Aguardamos todos vocês.

quinta-feira, 18 de março de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

Carnaval em Diamantina: trinta anos de rápidas transformações.

O texto abaixo é mais uma reflexão sobre o carnaval de Diamantina, desta vez sofrendo uma avaliação histórica de suas mudanças pelo autor, Marcos Lobato.

O que se seguem são impressões de não-especialista, que sequer arroga para si a condição
de arguto observador. Mas são observações motivadas por afável curiosidade, de quem tem
Diamantina como sua terra eleita e reconhece no Carnaval da cidade montanhesa uma de
suas expressões mais famosas. Não sou folião, porém não me furtei a acompanhar as
reinações de Momo nas ladeiras, becos e cachoeiras de Diamantina, ainda que na situação
de cicerone de parentes e amigos que visitavam a cidade justamente no Carnaval. Essas
observações abarcam período considerável, que se estende da primeira metade dos anos
1980 até os dias de hoje. Cerca de trinta anos, intervalo no qual alterações significativas
ocorreram, na cidade como no seu Carnaval.
Começo pelo óbvio. A fama do Carnaval de Diamantina só cresceu nesse período,
traduzida na afluência de público que acorre para a cidade ano após ano. Todos os jornais e
telejornais da capital cobrem o Carnaval de Diamantina com reportagens diárias, o que
começou a se verificar a partir dos anos 1990. Por conseguinte, Diamantina virou “point”
do Carnaval brasileiro, na medida em que recebe turistas do Rio de Janeiro, São Paulo,
centenas de europeus e milhares de mineiros originários de praticamente todos os cantos de
Minas Gerais. Cumpriu-se, nesse aspecto, a promessa que já existia nos tempos da
passagem do Barão Tschudi pela cidade, na década de 1860. Então, os habitantes tentaram
convencer o aristocrata naturalista alemão a aguardar o Carnaval no antigo Tijuco,
prometendo-lhe festa tão animada quanto as que ocorriam na Corte.
Carnaval em Diamantina, Minas Gerais.
O Rio de Janeiro ofereceu régua e compasso para os antigos carnavais de Diamantina. O
modelo era o mesmo, havendo apenas uma diferença de escala. Na primeira metade do
século XX, o corso e os bailes ditavam o ritmo da festa. No sábado, um “grito de carnaval”
às duas horas da tarde disparava a folia no centro da cidade. Blocos carnavalescos
desfilavam, rumo à Estação ferroviária. No início da noite, o Rei Momo e a Rainha do
Carnaval chegavam de trem, vindos da estação de Barão de Guaicuí. Eram recepcionados
por uma multidão entusiasmada, marcando o auge da “Noite do Zé Pereira”. No domingo,
durante o dia, blocos de rapazes, moças e crianças, com suas respectivas bandas, corriam as
ruas. O corso dominava a noite. Carros alegóricos, com ocupantes ricamente fantasiados –
marinheiros, índios, colombinas, pierrots – travavam guerras de lança-perfumes,
serpentinas, confetes e limões-de-cheiro na Rua Direita e no Largo da Igreja de São
Francisco. Todo ano, um carro com moças fantasiadas de índias representava a lenda do
Acayaca, imortalizada na obra de Joaquim Felício dos Santos. Terminado o corso, o baile
do Club Acayaca começava. A mesma programação repetia-se na terça-feira. As
composições de passageiros traziam diamantinenses que moravam fora, além de alguns
forasteiros apaixonados pelo Carnaval do antigo Tijuco. O Carnaval ainda era caseiro,
familiar, comunitário.
Entre os anos 1950 e 1960, o corso desapareceu e os forasteiros avolumaram-se. A folia,
contudo, até os anos 1970, dependeu dos cordões de carnaval (a exemplo dos tradicionais
“Rato Seco” e “Sapo Seco”) e dos bailes de fantasia. Havia ainda pequenas escolas de
samba, como a “Pena Branca” (da Consolação), expressões comunitárias da alegria
espontânea nos bairros – Diamantina não possuiu favelas nas encostas de morros, a
despeito de ser uma cidade incrustada numa encosta rochosa. A música, em proporção
razoável criada localmente pela multidão de músicos que a cidade ainda hoje
orgulhosamente possui, emulava as marchinhas e sambas de raiz que se ouviam nos rádios
capelinhas, nas casas de famílias e nos bares nos becos. Seu Tininho, contador, boêmio e
compositor, autor da marchinha intitulada “Porão de Oscar”, simbolizava bem os mestres
do carnaval diamantinense desse período. Sem o corso, a fina flor da sociedade brincava
nos bailes do Club Acayaca, em certames noturnos cheios de gala, animados por orquestras
formadas por músicos que serviam o 3o Batalhão da Polícia Militar. Na porta do Acayaca,
no início da Rua da Quitanda, populares – e até “mulheres públicas” do Beco do Mota –
espiavam a folia dos ricos diamantários, comerciantes e altos funcionários públicos
residentes na cidade. Cem metros adiante, numa rua paralela, o povo mais simples pulava
Carnaval no Assedi, o salão da Associação dos Servidores de Diamantina. Na madrugada,
sorrateiramente, rapazes de um e outro clube convergiam para os movimentados cabarés do
Beco do Mota. Afinal, o Carnaval é uma festa carnal! Antes dos bailes à fantasia, porém,
havia os desfiles dos blocos carnavalescos e das escolas de samba, ao redor da Praça Corrêa
Rabelo, abraçando a catedral da Sé de Santo Antônio. Eu mesmo vi os remanescentes
dessas agremiações quando cheguei à cidade: “As Domésticas”, “As Gatinhas” e “Xai-xai”,
para ficar em três exemplos. Sob o sol e o calor do verão no Espinhaço central, desfilavam
o Rato Seco, pela manhã, e o Sapo Seco, à tarde, da Praça do Mercado até o Largo Dom
João. Ainda hoje, é preciso fôlego para seguir esses cordões.
Assim, até os anos 1980, o Carnaval de Diamantina era de rua, e de movimento. Os bailes
haviam perdido importância – desapareceram gradativamente. Ficou o movimento nas ruas,
as aglomerações nos becos, que se desfaziam rapidamente, exceto no Beco do Mota, já
transformado de área de meretrício em concentração de barzinhos. Nele, durante a noite,
reuniam-se principalmente as pessoas de fora que vinham brincar na cidade. Aí começaram
a ganhar fama conjuntos como Bartucada e Bat Caverna.
Na década seguinte, a filiação de Diamantina ao modelo carioca de Carnaval foi posta em
xeque. A folia diamantinense aproximou-se bastante do Carnaval de Salvador, caindo sob a
hegemonia da música baiana. De modo mais específico, o Carnaval de Diamantina ficou
mais parecido com o Carnaval de cidades litorâneas como Porto Seguro, nas quais há um
“centro fixo” para a folia. Nessas, a avenida beira-mar; em Diamantina, a Praça do
Mercado. Além do axé, a cidade viu surgirem áreas vips e abadás. Os blocos e as escolas de
samba, que animavam as noites, ficaram absolutamente secundarizados. Muitos
desapareceram, enquanto o Beco do Mota, a Rua da Quitanda e o Mercado concentraram os
foliões. Apenas o Sapo Seco continuou subindo e descendo morro, seguido por multidão
crescentemente formada por turistas. Em cada esquina, diante das repúblicas de estudantes
e das casas alugadas pelos forasteiros, a miscelânia de ritmos aumentou. Hoje, ouvem-se
axé, funk, samba, MPB, pop rock, versões eletrônicas de marchinhas. Os policiais não
tocam mais nas bandas, agora se limitam a reprimir excessos e prender trombadinhas. Nos
anos 1990 e 2000, os habitantes de Diamantina aproveitaram o Carnaval para montar
biroscas temporárias, vender cervejas, sanduíches, tira-gostos e “ices’ (mistura de vodca
com soda) para os “baladeiros” – mudança sintomática no nome do outrora folião. E
alugam suas casas para grupos de turistas. Negócios que rendem bons trocados, mas que
transformam os moradores da cidade cada vez mais em meros espectadores do Carnaval de
Diamantina.
Arrisco um palpite: o Carnaval de Diamantina está suspenso entre dois modelos. O carioca
persiste na continuidade do Rato Seco e do Sapo Seco. O modelo baiano entrou em cena
com as bandas Bartucada e Bat Caverna, que, à maneira de trios elétricos sem rodas,
animam foliões até altas horas da madrugada em pontos fixos da cidade. Se Diamantina
tivesse orla marítima e grandes avenidas, penso que já teria se rendido completamente aos
enormes trios elétricos soteropolitanos. Oscilando entre os dois modelos, os moradores da
cidade que apreciam Carnaval vivem uma espécie de mal-estar, uma “crise de identidade
momesca”. Daí a aversão crescente às modas baianas e o saudosismo em relação aos
carnavais “autênticos” dos anos 1940-1950. O desenlace para essa crise de identidade
talvez ocorra em favor do modelo carioca renovado, na direção do carnaval de rua que está
crescendo na antiga capital do país, com base nos cordões que se multiplicam em toda a
cidade. Nesse aspecto, tenho a impressão de que Diamantina reatará seus laços, estreitos e
seculares, com a antiga Corte. O flerte com o Norte – é meu palpite – terá sido apenas um
escorregão, travessura de urbe que andava cansada de tantas tradições lusófonas e
imperiais.
Quais as razões do namoro com o Norte, com a música e o carnaval da Bahia? Além de
fenômeno nacional no início dos anos 1990, ressalto que nessa aproximação há pelo menos
um aspecto local relevante. A crise do garimpo nos anos 1980-1990 colocou Diamantina
prostrada, sem rumo. O povo e a cidade ficaram desesperançados, dispostos a trocar suas
tradições por algo que parecesse novo e tivesse ampla adesão. A baixa autoestima dos
diamantinenses abriu a porta para os modismos baianos. A cidade queria romper
definitivamente com seu passado, que parecia ter se esgotado junto com as lavras de
diamante. Foi justamente quando a cidade obteve o título de “patrimônio cultural da
humanidade” (1999) que teve início movimento gradativo de revalorização das
manifestações culturais locais, cujo avanço tenderá a repensar a inserção do Alto
Jequitinhonha na cultura mineira e brasileira.
Inadmissível, porém, é que continue a prática da Municipalidade de entregar para empresas
de eventos a realização e a gestão do Carnaval na cidade, algo que ganhou corpo em fins
dos anos 1990. Com isso, os prejuízos foram socializados e os lucros privatizados, sendo
destinados a mãos forâneas sem qualquer vinculação com segmentos da sociedade local.

Por Marcos Lobato Martins, 24 de fevereiro de 2009.
http://www.minasdehistoria.blog.br/
(Minas de História é uma janela para o passado mineiro; é o weblog de Marcos Lobato Martins, professor, doutor em História Econômica pela USP, autor de livros como História e Meio Ambiente (2007) e Breve História de Diamantina (1996). )
- Enviado peo amigo Wagão.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Diamantina. Não desperta do sono profundo. Puta merda!!!!!!!!!


Sempre estou procurando na internet alguma novidade no mundo motociclístico. Esses dias, ao ver uma motocicleta da mesma marca que a minha anunciada e com um acessório, enviei e-mail ao proprietário, para que em informasse o local da compra.
Muito educadamente ele me respondeu e me enviou o site de uma loja americana bem legal.
Daí o assunto rendeu, por ele saber que eu moro em Diamantina. O resto, basta eu postar aqui os e-mails que trocamos, que todos entenderão.

Eu: Bom dia, Lin. Vi o anúncio da sua Honda VTX 1800 e percebi que você instalou um tacômetro. Pode me informar onde adquiriu, ou se você vende o mesmo?
Obrigado, um abraço.
Ass. Rodrigo - Diamantina - MG.

Lin: comprei pela loja eletr. do link abaixo, http://www.gm-cycles.com/Items/011650-081827?&caSKU=011650-081827&caTitle=Cobra%20Tachometer%20Tach%20Honda%20VTX-1800C%20VTX-1800%20C

Rodrigo, Estive no dia 01/01 na cidade Diamantina mas a cidade estava fechada, vou conhecer na prox. oportunidade! Abraços Lin

"(Puta merda. Cidade fechada?? Pensei se ele teria vindo aqui mesmo. Ficou parecendo os tempos de faroeste, que fechavam as cidades.)"

Eu:
Oi, Lin, fechada como ?
Passou o reveillon aqui por perto ?
O legal é conhecer aqui em datas fora do carnaval quando tudo funciona normal.
Há ótima estrada entre Curvelo e Diamantina e daqui em direção ao Vale do Jequitinhonha.
Ando trabalhando demais e a moto está até com teia de aranha, mas vou programar umas viagens pro fim do mês e em março pretendo ir novamente ao Motofest em Prado-BA.
Grande abraço,
Rodrigo

Lin:
Rodrigo pq a so tinha 1 igreja aberta e 1 restaurante estava aberta. os pontos tur. estava fechado, estive na chapada Diamantina, no retorno sp passei pela Montes Claros e passei pela Diamantina p/ conhecer a cidade. região é muito bonito. tenho 2 motos a Vmax 2001 e VTX 2002, Estou desfazendo as 2 p/ adquirir Vmax 2010. e quase não ando com as motos, as vezes tem que fazer a chupeta... é um do ficam parada na garagem. se tiver alguém interessado pode indicar. Abraços Lin

Que merda einh, Lin?
Desculpe a vergonha.
Mas a cidade é linda e há pontos legais a serem visitados.
Na próxima "pedalada" por aqui, faça contato comigo que terei prazer em recebê-lo. Se precisar, arrombaremos as portas dos pontos turísticos. rsrsrs
Grande abraço,
Rodrigo.

Precisa dizer mais alguma coisa?????????????????????????????????

segunda-feira, 22 de junho de 2009

"Tribunal de Justiça de Minas Discute: "

Sinto ser uma excelente oportunidade para melhor compreendermos a polêmica que envolve essa sensível questão que é o Carnaval em Diamantina. (Vítor Oliveira)

Matétria extraída do Portal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais

22/06/2009 - Justiça nas cidades históricas na TV - Justiça nas cidades históricas na TV

A atuação do Judiciário e do Ministério Público nas cidades históricas de Minas Gerais é tema de uma série de reportagens que será exibida pela TV Justiça (a cabo) a partir hoje, dia 22 de junho. A série pode ser assistida pela TV a cabo no canal 6 da OiTV ou pelo canal 7 da Net, no Jornal da Justiça, 2ª edição, a partir das 18h30. É possível assistir também pela internet, diretamente pelo endereço
www.tjmg.jus.br.

O alvo da série são polêmicas envolvendo o queijo do Serro, as obras de Aleijadinho em Congonhas e em Ouro Preto, o registro civil de Tiradentes em São João Del Rei, os casarões em Pitangui e Pompéu e o carnaval em Diamantina. As reportagens foram produzidas pela equipe da Assessoria de Comunicação do Tribunal de Justiça de Minas.

A primeira matéria é sobre a cidade de Ouro Preto que revela a atuação da Justiça para proteger o patrimônio histórico por meio de ações civis públicas. Em uma delas, os moradores querem de volta um busto relicário que integra coleção de obras produzida pelo mestre Aleijadinho e que foi reencontrada nas mãos de um colecionador em São Paulo. A reportagem ainda destaca a preocupação de professores e alunos com o patrimônio histórico e ainda o papel do Judiciário na proibição do trânsito no centro histórico.

São João Del Rei é a segunda cidade mostrada na série. Os destaques são as questões jurídicas envolvendo sinos, trem de ferro e o registro civil tardio de Tiradentes, o herói da Inconfidência Mineira nascido na região. Já os casarões em Pitangui e em Pompéu são alvo de ações judiciais que envolvem preservação e até mudança de local. Um casarão na área rural que pertenceu a Joaquina de Pompéu, figura ilustre na região, será transferido para o centro do município porque as águas da nova hidrelétrica Retiro de Baixo vão inundar a fazenda onde está a casa.

Em Diamantina, é revelado detalhes da regulamentação do carnaval de rua do município, considerado um dos melhores do Brasil. A atuação do Ministério Público para preservar os 12 profetas esculpidos por Aleijadinho será mostrada em Congonhas. A reportagem também revela o que está sendo feito para impedir a queda da igreja Nossa Senhora da Ajuda, que hoje está escorada com madeiras.

O último capítulo da série mostra a polêmica envolvendo produtores do queijo do Serro, reconhecido como patrimônio imaterial do Brasil. A reportagem conta a história do fazendeiro Raul Clementino, um dos 950 produtores que estão dentro do limite de 10 municípios que produzem o queijo artesanal. É a disputa pela marca “queijo do Serro” e por um mercado que gira 16 milhões e meio de reais por ano.

A TV Justiça é um canal de televisão público, de caráter não-lucrativo, coordenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

enviado pelo amigo e advogado: Dr Vítor Oliveira.