Mostrando postagens com marcador motociclismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador motociclismo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de março de 2010

Razão ou loucura ?


A cada viagem de moto, fico pensando até quando nossa paixão pelo motociclismo e pelas viagens são comportamentos sensatos.
Pra quem curte e tem o motociclismo batendo forte no peito, sabe que não há nada mais prazeroso que pegar a estrada e encarar longas viagens. Não há distância nem previsão de tempo ruim que mude o destino.

Mas o meu dilema aumenta a cada saída pro acostamento pra escapar de motoristas e caminhoneiros irresponsáveis, (pra não dizer assassinos do volante), a cada buraco na estrada, cada animal na beira da estrada e coisas do tipo, que infelizmente fazem parte da nossa rotina nas viagens.

O estresse na estrada é constante. Falta respeito pela vida alheia, falta fiscalização, falta punição, falta estradas decentes ...
falta tudo que poderíamos esperar pra fazer uma viagem tranqüila e voltar pra casa cheios de alegria, novas amizades e inúmeras fotos. Não faltam também taxas, impostos e pedágios pra que eu me veja no direito de exigir o melhor pra uma pilotagem segura.

São poucos os motoristas que respeitam uma motocicleta. Digo motocicleta, porque dá pra perceber que não respeitam o ser humano que está em cima dela.
Daí presenciamos acidentes provocados por ultrapassagens inadequadas, motoristas alcoolizados, falta de respeito de motoristas e caminhoneiros que simplesmente ultrapassam em nossa direção, mesmo nos vendo na pista.
Seria o tamanho reduzido das motocicletas, já que ninguém joga um carro pra cima de um caminhão, nem mesmo um caminhão contra o outro ?
Seria inveja da gente ter sempre o sorriso estampado no rosto dentro do capacete?
Seria apenas irresponsabilidade e barbeiragem ou há também intenção criminosa contra nós motociclistas?

Na última viagem eu estava numa reta e uma carreta aguardava para atravessar a pista. Ao nos ver e eu piscar o farol o caminhoneiro simplesmente atravessou e eu tive que frear bruscamente numa situação de risco, com minha esposa na garupa, me apertando forte por ter consciência do acidente que poderíamos sofrer. E o desgraçado ainda riu pra mim gozando a minha cara.

Claro, há inúmeros motoristas e caminhoneiros responsáveis e até gentis que nos dão passagem e preferência, não posso generalizar.
Como há também inúmeros motociclista irresponsáveis abusando da sorte e da velocidade.
Acidentes acontecem, mas ...
- dirigir embriagado, não é acidente;
- estradas em péssimo estado, não é acidente;
- manobras inadequadas e imprudentes, não é acidente;
- excesso de velocidade, não é acidente;
- dirigir e pilotar com sono e cansaço, não é acidente;
E por aí vai...
Ou por aí vou e por aí vamos nós, pois nada é mais prazeroso que uma viagem de moto com o vento no peito e o sorriso estampado dentro do capacete. E a vida só vale a pena se vivida intensa e verdadeiramente.
Ninguém vai podar nossos sonhos, pois temos não só o motociclismo no coração. Temos a alma motociclística.
E não vamos parar!!!!

Boa viagem a todos.

ass. Rodriguim

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Por dentro da alma dos homens e mulheres sobre duas rodas

Apaixonados por motocicletas

Quando o assunto é amor, imediatamente lembro-me dos gregos que usavam quatro diferentes palavras para descrever este sentimento tão nobre. “Philia”, por exemplo, era a palavra usada para falar do amor entre amigos; já quando o assunto era o amor fraterno, familiar, a palavra usada era “Storgé”. Para falar do romance que une homens e mulheres a palavra empregada era “Eros” e para falar sobre o amor incondicional do supremo criador da vida, Deus, a palavra era “Ágape”. Mas, o amor que desejo abordar aqui é o amor dos motociclistas por motocicletas, então vejamos:

Constantemente ouvimos motociclistas dizerem que amam a motocicleta ou o motociclismo, são apaixonados, aficionados, loucos por motos e coisa e tal, será? O escritor Içami Tiba abordou em um de seus livros o relevante tema: quem ama educa, ou seja, quem ama se dedica, investe tempo, em suma: quem ama, cuida.

Lavar a moto, fazer manutenção preventiva, estar sempre com tudo em ordem, requer dedicação, empenho e investimento, isso é demonstração de amor pela motocicleta. Não existe amor sem sacrifício.

Mas, será que existem limites para o amor? Conheço pessoas que têm verdadeira fixação por motos, deixam de investir em uma casa própria, família e profissão, para adquirirem a moto dos sonhos. Será essa a verdadeira demonstração de amor?

O memorável músico Renato Russo usou partes de uma carta do Apóstolo Paulo sobre o amor, como letra de uma de suas músicas que fez muito sucesso, mas, é indispensável dizer que é comum as pessoas confundirem amor com paixão. A paixão é como um fogo arrasador e intenso, mas não dura muito, o amor por sua vez é racional, cauteloso e persistente.

Você realmente ama o motociclismo? Até onde vai o seu amor por sua motocicleta? Você cuida dela? Mantém limpa? Cuida para que ela esteja sempre em ordem? E em relação ao motociclismo? Até onde vai o seu amor?

Um dos meus lemas é contribuir efetivamente para a construção de um motociclismo melhor, mas, é preciso que cada motociclista faça a sua parte. Pense: você está filiado a uma entidade? Participa de ações que possam resultar em melhorias para o motociclismo?

Seja como for, há vários grupos da sociedade que se reúnem e lutam pela união e fortalecimento de sua cultura, dentre eles podemos destacar os japoneses no bairro da Liberdade, os italianos no Bairro do Bexiga, os nordestinos com o seu Centro de tradições nordestinas e os gaúchos, etc.

E nós motociclistas? Quer sejamos usuários, profissionais, militares, esportistas ou estradeiros. Onde nos reunimos? Quem nos representa? Qual é nossa cultura, e o que defendemos?

Lembro-me que há pouco tempo a Prefeitura de São Paulo anunciou que proibiria a circulação de motocicletas nas vias expressas das Marginais Pinheiros e Tietê. Através da Associação Brasileira de Motociclistas (Abram), nos manifestamos veementemente contrários e propusemos aos que estivessem dispostos a se sacrificarem pelo motociclismo, deveriam colocar um pano preto no guidon de sua moto e ocuparem o lugar de um carro na via, durante o seu trajeto do dia-a-dia, ainda que pra isso tivessem que acordar bem mais cedo que o habitual. Sentimos de fato que iríamos “parar” a cidade de São Paulo, mas tal medida não foi necessária, pois a Prefeitura recuou, entretanto, te pergunto: Você estaria mesmo disposto a realizar tal sacrifício pelo motociclismo?

Fonte; texto por Lucas Pimentel - Presidente da Associação Brasileira de Motociclistas (ABRAM). Publicado no jornal MotoVrum