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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

"Visão Monocular e Direção veicular".

Os condutores de veículos automotores que possuem visão monocular, ou seja, que só enxergam de um olho, só podem conduzir veículos das categorias “A” e “B”. Portanto, não poderão dirigir caminhões, ônibus e carretas. Também são considerados inaptos a direção desses veículos, os condutores que possuem baixa de visão em um dos olhos, de modo que não atinja os limites mínimos exigidos pelas normas do CONTRAN. A visão monocular afeta a visão e o indivíduo de diversas maneiras. Há duas conclusões principais que são dirigidas uniformemente e predominantemente pela literatura publicada e pelas autoridades. Os dois déficits preliminares são: perda da visão binocular estereóptica (visão de profundidade / noção de distância) e redução do campo de visão periférico (visão lateral). A maioria dos sintomas da visão monocular é um resultado dessas duas deficiências. A literatura mostra que a visão monocular revela uma diminuição de aproximadamente 25% no tamanho do campo de visão. As pessoas monoculares têm uma diminuição em sua orientação (de espaço) que resulta de uma falta das sugestões cinestésicas que se extraem da convergência ("visão binocular que aponta") e da acomodação (focalizar). Esses problemas se manifestarão como dificuldades, gerando a colisão em objetos e/ou pessoas, dificuldade para subir e descer escadas e meio-fios, cruzar ruas, dirigir, praticar os vários esportes e as atividades da vida diária que requerem a estereopsia e a visão periférica. A respeito de dirigir com segurança, há estudos americanos mostrando que por todo o país, os indivíduos com visão monocular têm sete vezes mais acidentes do que a população geral com que foram comparados." Por essas limitações, os indivíduos com visão monocular só podem conduzir os veículos das categorias “A” e “B”, inclusive com recomendações de espelhos retrovisores maiores, dispositivos auxiliares de entrada nas garagens como espelhos nas laterais dos portões e no caso de motociclietas, capacetes com maior abertura lateral, limitando menos o campo de visão. E pra quem tem visão monocular, segue uma sugestão: proteja o seu único olho bom. Mesmo que não haja necessidade de uso de “óculos com grau”, é recomendável o uso de óculos de proteção, de preferência com lentes feitas de policarbonato, que é um padrão da indústria para a segurança e proteção do olho. Isso irá evitar que mesmo pequenos traumas causem lesão no seu “olho bom” e que assim, você fique completamente cego. A proteção especial de segurança para esportes é recomendada se o indivíduo praticar esportes. Vidros especiais para dirigir a noite com revestimento anti-reflexivo para realçar a acuidade, diminuição da reflexão e diminuição da tensão potencial do olho e do brilho são recomendados. A proteção de segurança para o lugar de trabalho pode ser requerida mesmo que o indivíduo não esteja em ambientes potencialmente perigosos. Os DAE (dispositivo automático de entrada) óticos tais como espelhos com campos largos e espelhos em ambos os lados do veículo são recomendados para o motorista monocular. Treinar o incentivo de movimentos da cabeça e do olho para a exploração aumentada e a consciência periférica da visão é recomendado. Submeter-se a uma avaliação da habilidade e da segurança dos motoristas por um especialista é recomendado. Se houver um problema, tais especialistas estão treinados para fornecer o treinamento ao indivíduo para assegurar uma direção segura.. Dependendo do indivíduo e da avaliação pelo especialista em direção, determinadas limitações por uma quantidade de tempo especificada, ou permanente podem ser indicadas. Tais limitações podem incluir: equipamento adaptável especial (por exemplo espelhos retrovisores maiores, etc), dirigir somente na luz do dia, limitações da velocidade, dentro de determinadas distâncias, limitação do tempo, e/ou de não dirigir em estradas. A pessoa pode ser requerida a ter sua licença de motorista renovada em intervalos menores ou ser até mesmo impedida de dirigir. Em vista do disposto neste texto, espero que os inúmeros candidatos a condução de veículos nas categoras "C", "D" e "E", que são reprovados nos exames médicos nas clínicas, por possuírem visão monocular, compreendam que nós médicos, estamos não só seguindo uma determinação da lei, mas também visando o máximo de segurança nas vias para pedestres e condutores, tentando desta forma, evitar que novos acidentes aconteçam. Rodrigo Cavalcanti Gonçalves - Medicina de Tráfego.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Visão e condução veicular. O "trauma" de usar óculos.


A visão é um fator decisivo na direção veicular. A atenção visual alia a capacidade da visão noturna, visão de cores e luz do dia, visão periférica e visão central em boas condições. Por este motivo, o condutor deve estar avaliando sua visão periodicamente, a fim de prevenir doenças e ser orientado por oftalmologista, mantendo em bom estado as condições oculares.

Um fator que me intriga no dia a dia de trabalho na clínica Habilitação, é o enorme “trauma” de alguns condutores em relação a necessidade de conduzirem seus veículos usando lentes corretivas, sejam elas de contato ou óculos.
Hoje, como quase todos os dias, mais um condutor ficou insatisfeito e saiu reclamando, mesmo eu provando a ele que sua visão não está dentro dos padrões exigidos pelo CONTRAN para dirigir sem correção visual, ou seja, sem óculos ou lentes.
Faz parte da cultura brasileira querer burlar normas e leis. Querer levar vantagem e tudo. Aceleramos no sinal amarelo “pra aproveitar”. Entregamos serviços bancários a pessoas a frente na fila,sem respeitar que está lá atrás. Almoçamos e pedimos notas fiscais com valores inúmeras vezes acima do gasto real, para sermos ressarcidos pelas empresas e por aí vai.
No exame para renovação ou primeira habilitação, não é muito diferente. Sempre querem um jeitinho, para facilitar as coisas.
Na verdade, esta perícia médica é realmente simples. Nós médicos peritos no exame de habilitação, devemos responder ao DETRAN quesitos simples, como:
- Necessidade do candidato ou condutor adaptar o veículo por possuir alguma deficiência física.
Exemplo: uma pessoa que só possui o braço esquerdo. Pode dirigir ? Sim, pode! Mas desde que o veículo possua direção hidráulica, manopla no volante e câmbio automático. Mesmo que acostumado e se mostrando capaz, é inadmissível que um condutor largue o volante para trocar as marchas.
- Se o condutor apresenta alguma doença que limite ou o torne incapaz para conduzir.
Exemplo: uma condutor portador de epilepsia, necessita cumprir alguns quesitos para que seja habilitado. Já imaginaram uma convulsão a 100km/h numa estrada ou simplesmente descendo a Rua da Glória, cheia de estudantes circulando?
Entre outros quesitos, como avaliação de possível abuso de álcool ou drogas, doenças mentais, etc., a acuidade visual também faz parte da avaliação médica para a direção veicular.
E a visão, sem dúvida alguma, é o sentido mais importante para uma direção veicular segura.
Não são raros os casos de acidentes com declarações como: “não vi ele vindo”; “achei que tava longe e dava tempo.” “apensei que ele estivesse mais devagar.”
E as pessoas, mesmo com comprovada necessidade de correção visual, geralmente não ficam satisfeitas de constar na carteira de habilitação a obrigatoriedade de conduzirem com óculos ou lentes corretivas.
As desculpas que escuto são as mais diversas. “Trabalho com solda“. “Trabalho a noite toda“. “Não dormi bem“. “Minha vista só fica 100% no fim da manhã“. “Fico o dia todo no computador.” E até “sou amigo do seu pai” eu tenho que escutar. Sem comentários...
Claro, há os distúrbios visuais que só necessitam de correção da visão para perto, mas estes, se mostram aptos ao exame, que testa a visão a distância, pois é o que interessa na direção veicular.
Portanto, pensem na necessidade de uma direção mais segura e de reduzirmos o número de acidentes.
Se você tem necessidade, qual o trauma de dirigir com óculos ou lentes?

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Diferenças entre o homem e a mulher na direção veicular.


Não só as diferenças físicas entre o sexo masculino e feminino justificam o desequilíbrio comportamental. O metabolismo, a agilidade, os atos impensados, a pressa, a orientação espacial, a necessidade de impor condições, de se julgar o dono do mundo são alguns fatores que dissocia o comportamento do homem e da mulher.

Diferenças comportamentais do universo masculino e feminino fizeram com que pesquisadores da University of Virginia atrelassem o fato a condições genéticas e a ação dos estrogênios.

O hemisfério direito do cérebro é emotivo e o esquerdo analítico. Na mulher parece haver uma conexão maior entre esses hemisférios daí talvez atitudes mais seguras, mais bem direcionadas, melhor analisadas.

O cérebro masculino é cerca de 10% maior que o feminino o que não significa melhor desempenho intelectual já que os testes de QI (Coeficiente de Inteligência) são semelhantes.

Os homens são mais rápidos no raciocínio matemático e espacial enquanto as mulheres são melhores com as palavras, com as relações humanas. Não temos dúvida que isso é uma verdade.

Julgamos o homem mais genérico, pouco analítico e pouco emotivo nas atitudes e execução de tarefas. Já as mulheres mais analíticas, detalhistas e emotivas executando tarefas com prévio planejamento e segurança.

Na direção veicular vemos esse comportamento presente. O homem ativo, austero, exigente, dominador, agressivo, imediatista, irritado enquanto a mulher passiva, cautelosa, paciente, tranqüila.
A agilidade, a pressa, muitas vezes a compulsão para velocidade são fatores presentes no universo masculino. Daí podermos entender que o homem na direção veicular tem todos os componentes para a sinistralidade. Observe que os acidentes são de médio a graves, quase sempre com vítimas. Já com as mulheres temos mais freqüentemente os acidentes leves, sem vítimas, com pequenos danos materiais.

Quem seria o melhor motorista? O homem ou a mulher?
Não tenho dúvida em afirmar que a mulher desenvolve essa atividade com melhor habilidade e qualidade que o homem. Afirmo isso tendo em vista a grande sintonia entre o hemisfério cerebral que é analítico e o que é emotivo, daí existir contenções para execução de tarefa com risco. Ela é portadora de todo o perfil ideal para execução dessa tarefa. Basta vermos os dados estatísticos de acidentes de trânsito que vamos concluir que a mulher é dotada de características próprias para enfrentar a direção veicular e o trânsito.
É ela que mais respeita a sinalização, raramente comete ato inseguro e se sai muito bem diante de condição insegura.
Já o homem, de raciocínio rápido e com boa orientação espacial é capaz de exageros com relação à agilidade, o respeito à sinalização, torna-se mais competitivo, detém uma direção ofensiva e chega ao acidente de média e grande proporção com muito mais facilidade.
A mulher, pelo que apresentamos é realmente mais lenta com relação à orientação espacial, mas isso não desvaloriza a seguridade que ela porta e por isso a caracterizo como uma excelente operadora de máquina sobre rodas.

fonte:
Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da ABRAMET

obs: as principais diferenças estão na imagem. Clique nela para ampliar.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

"Celular e Direção: ligação perigosa".


Em tempos de popularização do telefone celular não é raro ver, apesar de inadequado, indesejável e principalmente proibido, condutores de veículos falando ao telefone enquanto transitam pelas vias públicas.

Até parece "status" dirigir o veículo com uma das mãos e utilizar, ao mesmo tempo, o aparelho de telefone celular. Chega ao absurdo de observarmos “motoqueiros” com capacete levantado na testa enquanto conversa no celular pilotando a moto.
Estas atitudes, além de proibidas pelo código de trânsito brasileiro, coloca em risco o condutor e todos os demais presentes nas vias de trânsito.
Faltam a essas pessoas conhecimento e educação para o trânsito.


O comportamento de dirigir um veículo é composto por múltiplas tarefas. Envolve a tomada de informação, o processamento de informação, a tomada de decisão e as atividades motoras.

Muitos motoristas acreditam que dirigir envolve apenas as atividades motoras e, portanto, o uso do telefone celular, especialmente o viva-voz e o fone de ouvido, não afetaria o comportamento de dirigir, pois as mãos ficam livres. Todavia, não é bem assim. Dirigir envolve uma carga mental ou cognitiva, isto é, o motorista precisa atender e depreender vários estímulos que estão em seu ambiente interno (dentro do veículo) e externo (vias, estradas, ambiente em geral). Claro, nem todos têm esta percepção em relação ao ato de dirigir, e são, justamente esses os que mais se envolvem ou provocam acidentes de trânsito.

Apesar da existência de poucos estudos relacionando o uso do aparelho celular com acidentes de trânsito, alguns textos já alertam para o aumento do risco de acidentes, ressaltando não somente o abandono de uma das mãos do volante que influi na limitação motora do condutor, mas também pela perda de atenção no trânsito mesmo em uso de fones de ouvido ou viva-voz.


Um artigo publicado pela revista científica Human Factors, informou ter testado reações reflexas de pessoas entre 65 e 74 anos em comparação com jovens de 18 a 25 anos em uso de telefone celular. Motoristas que conversam ao celular se comportam no trânsito com reflexos igualados aos dos idosos. O tempo de reação é mais lento e há uma tendência maior de não se prestar atenção àquilo que está bem à frente.


Outro estudo realizado no Canadá aponta que o uso do aparelho celular no trânsito aumenta em quatro vezes o risco do condutor sofrer acidentes. A pesquisa, que durou 14 meses, foi realizada com 699 motoristas que tinham telefones celulares e foram responsáveis por acidentes com consequências relativamente graves. O resultado também demonstrou que os motoristas mais jovens têm maior tendência a problemas nessa situação que os mais velhos.
Esta mesma pesquisa comprovou que os condutores que utilizam aparelho de celular no modo viva-voz correm o mesmo risco de sofrer acidentes que aqueles que seguram o aparelho enquanto dirigem. A questão é a limitação que pode ocorrer com o cérebro em relação à perda ou alterações de atenção, controle das emoções e raciocínio, entre outras reações que são modificadas quando se fala ao telefone. Esta visão contraria a suposição de que o viva-voz não interferiria na direção por não necessitar de alteração motora ao dirigir.

O amigo leitor pode estar fazendo a seguinte pergunta:
_ o que faço se eu estiver esperando uma ligação importante e meu celular tocar com o carro em movimento?

A resposta é simples: estacione imediatamente seu veiculo para atender a chamada telefônica, pois assim não será multado nem correrá risco de provocar acidentes.


Resta-nos apenas uma dúvida: Quando deixaremos de ser campeões mundiais de mortes no trânsito?
ass. Rodriguim.